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Enquanto olhava em seus olhos eles começaram a derreter. Lágrimas densas escorrendo como saliva. Pouco a pouco se desfizeram em água e deixaram em seu lugar buracos vazios preenchidos do mais agudo silêncio. Como se pega por uma correnteza, fui lentamente puxada para dentro do espaço atrás de deles e me vi despencando em você. Caindo feito Alice no abismo infinito, sem ter referência nem onde me segurar, cair deixou de ser verbo e virou lugar. Finalmente livre, em queda. A luz chega correndo mais uma vez atrasada e me faz perceber que estou de cabeça para baixo, não mais caindo e sim caminhando no vento como se em uma esteira. Olho para trás e não vejo minha casa, não sei onde estou e nem para onde vou. Olho para a frente e sou cuspida por seus olhos chorosos exaustos de me chorar. Eles, pequenos em minhas mãos, me olham de volta e vejo que são meus. Eu que, equivocadamente, por um momento virei água e nunca mais voltei.

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pelo visto esse é o meu diário

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