04 — um eterno vai-e-vem

A mente fica ansiosa e tensiona o corpo. O corpo tensionado congela o estado de tensão. A mente continua tensa por sentir o corpo tensionado. O corpo tensionado cria um incômodo físico. A mente incomodada busca a causa do incômodo. Analisando o incômodo se cuida do corpo. O corpo relaxado avisa que a mente pode relaxar. A mente fica ansiosa e tensiona o corpo.

No final das contas a vida inteira é um vai-e-vem de estados opostos mesmo, né? Não adianta focar em uma parte se as outras são esquecidas no processo. Batido, eu sei, mas esse lembrar e esquecer também faz parte desse vai-e-vem. Já resolvi tantas questões internas racionalmente que as tenho como resolvidas, mas em lugares esquecidos do meu corpo elas continuam presas porque ninguém se lembrou de ir lá descongelar. O volume pode ter diminuído, mas o corpo continua enviando alertas para a minha mente que, sem ter mais as causas originais para resolver, cria novos pensamentos na tentativa de explicar o que nem ela sabe mais o que é. Como eu disse, um eterno vai-e-vem.

A vida passa e as coisas mudam, mas as coisas continuam iguais. Padrões se repetem. Ciclos recomeçam. Tudo sempre do mesmo jeito, apesar de totalmente diferente. A vida não faz sentido algum. Buscar o sentido da vida faz com que se viva a vida para descobrir. A vida faz todo o sentido do mundo. Quando se encontra o sentido da vida se deixa de viver. A vida não faz sentido algum. Engraçado. Frustrante. Assustador. Maravilhoso. Curioso.

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pelo visto esse é o meu diário

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