104 | caixa de tudo aquilo que só se guarda em caixas

Me sinto diferente. Não só na forma como me percebo, mas também em onde me procuro, se me encontro ou não é outra história.

Tudo o que sinto me parece diferente e não consigo parar de me lembrar de um pedaço de um livro que li um tempo atrás e que não interessa qual é o livro e também não interessa qual é o pedaço, o que importa é que continuo me lembrando de algo que eu concordei totalmente quando li e que ainda concordo completamente, mas meio que agora não queria concordar. Como aquilo que meu professor falou uma vez e que ficou comigo e eu não quis aceitar mesmo sabendo e no final foi certeiro.

Engraçado como tem coisas que eu não quero falar sobre, não quero compartilhar, não quero explicar, não quero porque não vejo a necessidade e não quero porque é daquelas coisas que tinha que estar lá, sabe? Tenho preguiça de contextualizar coisas que na verdade não importam pra mais ninguém, só pra mim. Um dia quem sabe, talvez em algum momento faça sentido, mas por enquanto só guardo comigo frases soltas, imagens perdidas da vida e sentimentos estranhos que nem sempre me lembro como vieram parar aqui.

Tem caixas aqui dentro com lembranças que nunca paro pra lembrar e raramente são relevantes, mas também não quero jogar fora e também não faz sentido nenhum mostrar a quem quer que seja. É a minha biblioteca de tranqueiras e momentos e aleatoriedades e conchinhas e gravetos com formatos estranhos e pedrinhas bonitas e ingressos pra um evento que não me lembro de ter ido, mas que me marcou pra sempre só que num lugar onde eu não vejo.

17 de dezembro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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