119 | feliz ano novo

Sempre tive um negócio com ano novo. Não importa onde eu esteja, olho pro céu, respiro fundo e sinto um sorriso tomar conta do meu rosto. Não sou uma pessoa de fazer planos, mas especialmente nesse dia gosto de ver pra onde a vida me leva. Dessa vez ela me levou pra casa.

Tenho dificuldade de falar da gente, talvez porque seja tudo muito novo, talvez porque seja tudo muito tudo, mas sei que quero falar sobre todos nós e não consigo. Aqui nesse lugar que acabei de conhecer já pertenço e nesse abraço de oito braços me sinto entre a família que escolhi e que foi escolhida por mim. Quem diria?! É isso que vejo estampado em todos os nossos rostos. Quem diria, não é mesmo? Quem poderia imaginar que estaríamos aqui assim desse jeito nesse dia depois de tudo isso?

Combinamos em tanta coisa nessa vida e não é surpresa que acabamos sem querer combinando também na roupa amarela. Eu e você, meu bem… Os tempos não têm sido fáceis e nós até que surfamos esse tsunami gloriosamente, eu diria. Escorregamos e levamos uns caldos, mas continuamos em pé depois de tudo e não seria certo estar em qualquer outro lugar que não com você nesse momento. Largamos nossa casa confortável na beira da praia pra entrar em mar aberto tendo apenas um ao outro onde se segurar, se um afunda o outro afunda também, então boiamos. Exaustos depois de tanto nadar ainda não há pedaço de terra à vista, mas sobrevivemos a essa aventura até aqui mesmo que tenhamos morrido um pouco e ainda vamos sobreviver o resto da jornada, mesmo que ainda tenhamos mais um pouco ainda pra morrer. Olhamos pro céu e nos damos as mãos mais uma vez como tantas outras. Ensolarados na noite nublada encaramos esse novo começo com otimismo, afinal, desde quando algo nosso deu errado?

Chegando depois e em cima da hora vem você… Você e seus olhos que me enxergam tão lá dentro onde é tão escuro que nem eu sei o que vê. Os cabelos que caem em ondas hoje escondem seu rosto de novo, o rosto triste por estar cansado e cansado por estar triste e que ainda assim brilha. Um ano atrás nem nos conhecíamos e hoje escolhemos estar juntos porque não queríamos que fosse de outro jeito. Sacudidos pra fora dos nossos trilhos nos agarramos um ao outro e não descemos mais pro chão porque aprendemos a voar. Entre piruetas e cambalhotas no ar dançamos sem música seguindo o ritmo próprio de corpos que vivem em sincronia perfeita fora do tempo. Abraçados olhamos pro céu em silêncio tateando o limiar entre um ano e outro. Aquilo ali é marte, sabia?

Não pode apontar pra estrela! Não é estrela, é planeta. Ah tá, então pode. Vestida de mais estrelas que o céu nublado, você chega com o sorriso gigantesco que combina com os olhos enormes que combinam com o coração maior ainda e que hoje aumenta por ser a anfitriã desse grupo todo que meio que chegou como um pacote em sua vida. Nós duas poderíamos sentir tanta coisa uma pela outra e escolhemos sentir tanto carinho que transbordamos em sorrisos e abraços e afagos. A naturalidade toda de como tudo isso aconteceu significa tanto pra nós duas que às vezes tudo o que conseguimos fazer é rir.

Dois amigos enchem a noite de música numa sintonia improvisada que simplesmente funciona um absurdo de bem desde sempre. Duas metades de um coração, um amor tão antigo e um novinho em folha, um romance épico e um revolucionário, a facilidade e o desafio existindo lado a lado e ao mesmo tempo enquanto duas amigas nascidas no campo de batalha da rivalidade compartilham de um colo quentinho debaixo do cobertor e assistem as pessoas que amam sendo elas mesmas e as amando mais ainda a cada segundo que passa. Cansados de se sentirem errados, quatro tortos se apoiaram um no outro e juntos crescem cada vez mais alto.

1 de janeiro de 2023

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pelo visto esse é o meu diário

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