123 | me esqueçam rapidinho por favor

Tanta coisa anda acontecendo que tanta coisa acontece e é tanta coisa que tá acontecendo o tempo todo que eu não consigo nem pensar sobre o que acontece muito menos escrever e aí tudo se acumula dentro de mim inclusive o que eu sinto sem nem saber sentir porque mal me sobra tempo.

Sei que é tudo questão de prioridade e organização e todo esse blablablá de sempre que eu sei que não é blablablá porque é verdade e nem por isso fica mais fácil de efetivamente fazer acontecer. Me sinto sendo atropelada o tempo todo sem nem encostar no carro e nem no asfalto, apenas no espaço do meio entre ser atingida e cair porque nada me atinge e eu também não efetivamente propriamente dito caio. Ainda assim me sinto o tempo todo constantemente sendo jogada de um lado pro outro nesse espaço do meio sem ter onde me segurar e nem onde cair e por isso não consigo também me levantar.

Todo mundo parece muito tranquilo e eu sei que é só impressão porque logo mais esse mesmo todo mundo me chama pra conversar porque está em pedaços assim como eu em pedaços me recolho agora sozinha no meu quarto. Hoje quase surtei e por um segundo quase me permiti surtar e na minha voz talvez tenha sido percebido um leve tom de surto por baixo de uma leve irritação por quase nada porque quem falava comigo era minha mãe e ela bem conhece os estágios do meu surto.

O que me fez pensar em como isso era uma constante na minha vida e hoje não é mais e é por isso que no contraste fica tão óbvio. Eu realmente já fui muito completamente surtada. E hoje não sou mais. Acho que atualmente vivo mais a crise e é por isso que ela não se acumula e vira surto. Mas agora ela se acumulou e hoje fiquei às beiras de um, minha mãe ouviu que eu sei. Ela até usou comigo o tom de voz de justificativa pra si mesma que ela usa consigo mesma pra não se permitir surtar e que me faz ficar mais surtada ainda porque eu não quero engolir o surto, o que eu quero é surtar, é dar chilique, é gritar pro mundo inteiro me deixar em paz sendo que ninguém tem nada a ver com isso. Eu que me esgotei porque eu me esgoto fácil. Porque eu não sei dizer que não. Porque eu quero cuidar de todo mundo e não me sobra tempo pra cuidar de mim. Porque eu tô atrasada com todas as minhas coisas e ainda assim falo que claro, posso sim. E aí eu surto porque eu não consigo me engolir e também porque eu não quero. Eu não quero me engolir. O que eu quero é surtar.

Não faz sentido, eu sei. É desproporcional, eu sei. É drama. É exagero. É faniquito de criança mimada que precisa crescer porque o mundo é assim e quanto mais cedo você aprender isso melhor vai ser pra você. Olho bem pra todo mundo que me falou pra me engolir e tudo o que eu vejo é um monte de crise entalada. Eu até que tento às vezes. Tentei esses tempos. Foi tanta crise que eu não dei conta de tudo e acabou se acumulando, então fui pouco a pouco engolindo algumas coisas mesmo. Mas não aguento. Meu corpo é sensível, ele não tolera lactose e nem sofrimento. Cuspo tudo pra fora, vomito, choro, jorro o sangue enquanto ainda está vivo, prefiro me deixar vazia do que guardar dentro de mim o que está apodrecendo.

5 de janeiro de 2023

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pelo visto esse é o meu diário

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