129 | anonimato

Acordei saltitando, ou melhor, acordei com sono, mas acordei e levantei e várias horas depois já no final do dia eu estava caminhando um caminhar que energeticamente se aproxima muito de um saltito.

Acordei, li, tomei café da manhã com o pão frito na frigideira com óleo de coco e banana amassada com canela por cima feito geléia que por tanto tempo foi meu café da manhã e talvez tenha sido o café da manhã que eu consegui comer todos os dias por mais dias seguidos na minha vida porque eu sempre fui de enjoar de comer a mesma coisa, especialmente de manhã.

Por algum motivo em algum momento parei de comer meu pão com banana e não me lembro quando foi que o abandonei, mas se eu tivesse que chutar quando foi eu chutaria fevereiro.

Anos depois da última vez fiz yoga pela manhã e lembrei o por que de eu não gostar de fazer yoga pela manhã: é muito quente e eu suo, e eu odeio suar. E ficou quente. E eu suei. E eu gostei. Não do calor e muito menos do suor, mas da yoga pela manhã.

Interrompi as programações do primeiro dia de rotina pra fazer uma visita fora do comum pra uma situação fora do comum. E foi bom. Voltei pra casa e pra minha estrutura que ainda não existe e nesse meio tempo entre inventar e seguir me peguei tendo um surto criativo que faz tempo que não sinto. Esse tipo de surto em particular é muito bem-vindo.

Não tem nada pra comer em casa — mentira, tem coisas, mas não tantas — e fui ao mercado. Foi no caminho pra lá que saltitei sem saltitar ouvindo no fone o que não sai do meu ouvido.

À passos largos e confiantes como os que arrancaram a torneira da parede do bar — essa é uma história que merece ser contada, mas outro dia — fui e nessa ida ao mercado pra comprar azeite e melão entendi tudo.

Passeio por entre as gôndolas cantarolando e dançando e sorrindo sozinha de absolutamente nada porque eu me sinto bem e eu quero sorrir. Ao meu redor pessoas cansadas, tristes, fechadas, distraídas, focadas. Ao meu redor ninguém presente.

Ali, comprando azeite e melão, me sinto livre como há muito não me sentia. Ali não me sinto ninguém, então posso ser quem diabos eu quiser.

E eu quero ser eu.

11 de janeiro de 2023

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pelo visto esse é o meu diário

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