132 | weird waters these we're in

O problema é que tateando no escuro às vezes a gente encontra o vão de uma porta aberta sem saber o que tem do outro lado. É mais fácil seguir em frente quando a mão tem uma parede pra seguir, mesmo no escuro. Nesse caso o difícil é lidar com o medo de não saber o que vai encontrar no caminho, mas existe um caminho claro, mesmo que no escuro, e é só seguir a parede. Mas o que acontece quando a parede acaba e a mão encontra o vazio?

Sem qualquer referencial fica difícil encontrar a direção e me parece que a única bússola a seguir é a que engolimos antes mesmo de nascer, aquela que se alojou bem na boca do estômago, aquela que quando encontra a direção certa faz brilhar o olho e coloca um sorriso no rosto. Mas diferentemente de todas as bússolas do mundo que apontam pro mesmo norte, essas que ficam dentro de nós tem vida própria e cada uma nos manda pra um lado.

Linhas paralelas, perpendiculares, tangentes e sei lá mais quais os nomes porque sinceramente não fui muito dedicada nesse conteúdo, mas linhas de todo tipo e que seguem pra todo lado, aparentemente aleatórias como uma pintura que só se revela quando depois de pronta viramos o quadro e descobrimos que estávamos o tempo todo vendo tudo de cabeça pra baixo.

Ninguém sabe o que está fazendo e mesmo sabendo disso conseguimos nos enganar, uns aos outros e a nós mesmos. Queremos acreditar e é mais fácil acreditar, porque quando acreditamos que a parede está ali quase conseguimos sentir ela em nossas mãos e seguimos em frente, mesmo que estejamos na verdade tateando o vão no escuro, talvez indo na direção certa, talvez voltando pra de onde viemos, talvez indo parar muito longe de casa ou talvez nunca tenhamos deixado de andar em círculos.

14 de janeiro de 2023

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pelo visto esse é o meu diário

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