139 | peperômia e alecrim

As raízes das plantas, coitadas, já não tinham mais pra onde correr. Depois de se estender por toda a extensão dos pequenos vasos e se enrolarem umas nas outras até virarem todas nó, a única opção que lhes restou foi parar de crescer.

Nasce, cresce, murcha, morre. A cor vibrante das folhas novinhas em folha contrasta com a pálida das que de tanto cansaço se rendem ao chão. Todas nascidas do mesmo galho, uma de cada vez.

Terra que um dia foi tudo não tem mais nada a oferecer, nem mesmo o espaço que ocupa. Presa entre as raízes não solta mais, não larga nem mesmo com jato de água. Deixa de molho pra amolecer, volta, tenta de novo, ainda não solta. Terra teimosa não deixa raíz respirar, e sem respirar como que faz pra raíz crescer? Não faz, não cresce, murcha e morre.

Mexe com a mão pra sujar debaixo da unha, sem sujar a mão não tem graça, não é mão na massa. Suja o pé que suja o chão limpo do resto da casa, depois volta pra limpar, mais tarde, agora não, agora ainda é hora de sujar.

Será que agora vão crescer bem? De casa nova, terra nova, adubada e afofada voltam todas pro seu lugar ao sol, um pouquinho mais pra trás porque o sol anda chegando forte e com certeza vai queimar.

As raízes das plantas, coitadas, já não tinham mais pra onde correr.

21 de janeiro de 2023

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pelo visto esse é o meu diário

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