145 | se o joelho começa é porque a coxa já acabou

aérea
1 min readJan 28, 2023

Nunca fui muito boa de localização, mas ando me perdendo um tanto quando vou pros lugares. Enredada nos labirintos de ruas pequenas dou voltas e voltas sem conseguir chegar onde queria.

Muito do que quero falar me escapa por entre os dedos e vejo às vezes mais de mim pelo que cai do que pelo que fica e pelo que eu fico triste de ter escapado quando queria que ficasse e pelo que insiste em ficar contra todas as minhas expectativas.

O excesso de palavras que saem de mim escondem o tanto que não chega a ser verbalizado. Posso ser um livro aberto, mas olhando com mais atenção posso ver as várias páginas que foram rasgadas e extraviadas com o tempo.

Fragmentada em várias versões de mim acumulo uma vida de bolhas específicas que guardei anexadas à linha do tempo, mas agora elas começam a vir para a superfície e estouram no ar trazendo com elas aromas de tempos passados e ecos de vozes já sem rosto.

E se eu desse ao mundo a oportunidade de me ver mudando?

27 de janeiro de 2023

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