158 | ainda não terminei de falar

aérea
2 min readFeb 11, 2023

Mais uma vez questiono: por que me pergunta se não tem paciência pra ouvir a resposta? Todo mundo quer falar e todo mundo fala ao mesmo tempo em conversas paralelas e simultâneas que se enroscam e se perdem e me perdem também no meio delas. Talvez seja esse o normal das coisas mesmo, mas me é desgastante existir esparramada e no fim volto ao meu normal: me isolar no meu quarto.

Gosto de ouvir sem interferir, mas eventualmente também eu gostaria de ser ouvida sem intervenção e me frustro. A vontade de chorar chega por trás dos olhos e bate na porta, a garganta se fecha e a única palavra que escapa é um "deixa".

Posso reclamar por isso? Posso, mas será que quero? O olhar de ofensa me desmotiva e acho mais fácil só ir parando pouco a pouco de falar. Ouvi que crio campos de batalha em épocas de paz e é capaz que seja isso mesmo, mas do meu ponto de vista não vejo paz, vejo uma gerações e gerações em guerra-fria e dessa eu não aguento mais participar, mas também não sei se aguento sozinha fazer revolução por muito mais tempo.

Me exilo por sobrevivência e em exílio também me canso. Volto decidida a fazer os acordos necessários e amarrar as pontas soltas, mas tem nós que não são meus pra desatar. Talvez eu seja mesmo exagerada, talvez esteja tudo na minha cabeça, talvez eu esteja ficando louca, mas me sinto tão sã. No fim sempre volto a me sentir sozinha onde quer que eu esteja e é por isso que aprendi a gostar tanto da minha própria companhia.

Tudo o que queremos é compreensão. Me entende! Me entende! Gritamos sem voz e sem razão. Queremos que alguém olhe em nossos olhos e queremos nos ver lá dentro pra que pelo menos em algum lugar façamos sentido, mas não fazemos porque nada faz no final das contas. Há lugares que foram feitos para a incompreensão, sem eles não iríamos tão longe para passar uma mensagem.

9 de fevereiro de 2023

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