16 — as pequenas escolhas que fazemos

O tempo todo coisas acontecem e nós ficamos à mercê do que nos rodeia. O tempo todo o mundo passa por nossos olhos e pela nossa pele e pelos nossos poros. O tempo todo sabemos quem somos e quem queremos ser e quem já fomos e quem nunca seremos. O tempo todo o mundo passa e nós ficamos ou vamos junto, levados como o vento num espaço sem espaço que enclausura quem se deixa levar. O tempo todo o tempo passa. O tempo todo o tempo passa. O tempo todo o tempo passa. E se por um segundo, só por um segundo, o tempo parasse de passar? Todo o tempo do mundo cabe num segundo.

É só parar.

E aí num impulso de dentro ou de fora ou de dentro e de fora ele recomeça, num choque, numa corrente que corre e corre e corre e também nos faz correr. E uma vez correndo gastamos tanta energia para manter nosso corpo correndo e nossa mente correndo e nosso coração correndo que esquecemos o que nos fez recomeçar a correr e esquecemos porque estamos correndo e esquecemos como era não estar correndo porque esquecemos até mesmo que existe a possibilidade de existir uma realidade na qual não estamos correndo.

Para.

Respira.

Solta a mandíbula.
Solta os ombros.
Sente a luz que te enxerga.
Solta o cadarço do sapato de pé descalço sente o que seu pé sente do chão.
Sente-se.

Agora vai.

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pelo visto esse é o meu diário

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