162 | agradeço por me encher de luz

aérea
2 min readFeb 14, 2023

Acho que todo mundo sabe em algum nível e mesmo assim na maior parte do tempo optamos pelo caminho mais fácil de ignorar o poder absurdo que a linguagem tem sobre nossas vidas. Palavras. Simples palavras proferidas vez e vez de novo como quem não quer nada, enfiadas por entre brechas ou polvilhadas por cima de bolos, mas sempre — sempre — palavras. Repetidas uma, duas, trilhões de vezes ao longo de anos, em voz alta ou murmuradas em pensamento. Perdidas ou guiadas sempre nos levam a algum lugar.

Tome nota disso aqui, disse minha mente, e nota daquilo eu tomei. É verdade. Eu realmente uso essas mesmas palavras para me descrever, para descrever o mundo como enxergo e talvez quem sabe — E SE — não seja o mundo que vejo sendo traduzido pelas minhas palavras e sim minhas palavras que moldam o mundo enquanto o vivo? Que me moldam enquanto vivo? E cá estava eu achando que estava me descobrindo quando na verdade me perdia cada vez mais dentro dos mesmos labirintos.

E se ao invés de ver e descrever, de sentir e contar, eu fizer o caminho inverso? E se eu começar a escrever o mundo como quero o ver, será que ele vai se tornar aquilo que imagino? Será que? Será? Será que eu ouso me reescrever à essa altura do campeonato?

Uma escada aparece do meio da parede de arbustos e nela subo, agora vejo tudo de cima. O labirinto é grande, construído e reformado ao longo de toda uma vida e mais algumas até, mas uma nova camada de vidro cai dos céus por cima de toda a sua extensão e agora consigo caminhar por cima de todas as dúvidas nas quais me bifurquei. Perguntas, perguntas, perguntas. Elas são a base de tudo o que sou e continuarão sempre sendo, só que agora caminho em linha reta na direção que o sol faz brilhar dentro de mim.

13 de fevereiro de 2023

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