163 | tão longe estamos de ser tudo o que há

aérea
2 min readFeb 15, 2023

Quão arrogante é pensar que tudo o que há na vida é aquilo que fizemos. Bilhões de anos de história e tudo o que conta é o que conseguimos contar? Enfiados em nossos celularzinhos absorvendo conteúdo nenhum que se perde em instantes e desaparece perdemos pouco a pouco a capacidade mental de focar e junto com ela qualquer noção de espaço e de tempo que não possamos segurar nas mãos.

Sim, sim, tem muita coisa incrível por aí a ser vista, mas eu não estou aqui pra advogar pelo futuro tecnológico, há gente demais que faça isso e certos estão eles, diga-se de passagem. Mas não é esse o meu papel. Eu estou aqui para me maravilhar com o passado e todo o futuro que nasceu dele todos esses bilhões de anos atrás, para contemplar a existência de uma mera folha de uma planta que não faço a menor ideia de qual seja e também não preciso saber para que eu possa contemplar a sua incrível existência.

Tudo nasce e tudo morre e tudo o que compõe o meu corpo já compôs sei lá quantos outros corpos, humanos, animais, vegetais, cósmicos. Sou um aglomerado de passado e o aglomerado que eu sou é também infinitos futuros em potencial. Dentro de minhas células existe o universo e é ele que brilha em meus olhos quando me encontro e me perco na sua vastidão.

É o sentido de tudo e a falta de qualquer sentido que me maravilham e o que habita o espaço entre esses dois estados de ser de nada me servem. Imagine, imagine só. Olhe para o céu à noite e imagine. Olhe para o céu limpo e azul e imagine, para o céu nublado, fechado, chuvoso, poente, nascente, de onde estiver, olhe para o céu e imagine. Ou melhor, só olhe. Olhe e deixe que o espaço te preencha com tudo o que ele pode te preencher, tudo aquilo que não consegue encontrar brecha para entrar em nós enquanto olhamos para baixo, tudo aquilo ao que nos dessensibilizamos. Olhe para o céu, olhe, só olhe, continue olhando.

14 de fevereiro de 2023

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