183 | sonhei com meus queridos planetas e acordei perturbada

mari
2 min readMar 7, 2023

Depois de pouco mais de um mês viajando retorno sem realmente retornar. Desacostumei a me conduzir enquanto fui passageira de tantos condutores. Entre minha família de origem e a nova família na qual me inseri e fui adotada me sentei no carro e pude observar a paisagem enquanto fui levada a lugares conhecidos e desconhecidos, familiares e novos, maravilhosos e comuns, verdes e azuis e depois mais verdes ainda.

Saí de casa aos farrapos e retorno mais inteira.
Saí de casa em colapso e retorno plena.
Saí de casa. Voltei à casa.
Como tantas vezes antes e como tantas ainda depois num vai e volta de perto e longe como a lua em meu sonho que tanto me apavorou ao despertar. Não era isso que ela dizia, mas falando nisso me lembro dela.

Minhas emoções tomam conta de mim a vida inteira e tem tomado cada vez mais. Eu que não tenho tomado meu equilíbrio em forma de cápsula antes de dormir e talvez por isso sonhei com o fim de mim. Rachando de tanta pressão. Instinto se desfazendo em pedaços enquanto meu emocional passeia fora de órbita em alta velocidade e tira tudo do lugar. Ou será que alinha?

Implodi, explodi ou renasci?

Será que estou me destruindo ou quebrando a dura casca?

Existe diferença?

Acordei e vi em seus olhos preocupação. Você não viu o que eu vi, mas viu o olhar que via o que viu e isso te assustou. O que foi? Fazia tempo que eu não tinha um sonho desses, desses que me deixa perturbada ainda por um bom tempo depois. Desses que me fazem entender alguma coisa sem que eu precise entender. Desses que me deixam assim, para dentro. Assim, sem saber direito. Assim.

Fico meio assim.

O que a câmera que eu entreguei quis dizer? A pessoa que temi e quis ajudar era eu? O que meu inconsciente quis dizer com as pessoas cantando? Queria me lembrar do que cantavam. Talvez em algum desses momentos que me concentro em alguma coisa e quando dou por mim estou cantarolando aleatoriedades que surgem na minha cabeça seja uma dessas saindo pela brecha, ou talvez elas venham do mesmo lugar. O que a câmera que eu entreguei ao morador de rua quis dizer? De que lhe adianta uma câmera quando o que ele precisa é abrigo e alimento? De que adianta uma câmera? O que será que ele fez com ela depois que eu fui embora? Talvez se eu não tivesse acordado teria descoberto, mas o vai e vem da lua que gerou o fim de tudo me assustou. Vi o fim de tudo acontecer e ninguém pareceu se importar, só eu que surtei como geralmente acontece. Surtei. Acordei. Te preocupei com meu olhar e depois passei um bom tempo a encarar o vazio dentro de mim.

O que plutão rachando quis me dizer?

6 de março de 2023

[04:03 da manhã]

Entendi.

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