191 | invoco meu direito à raiva

aérea
2 min readMar 14, 2023

Em geral não tenho problema com isso, mas nesses últimos dias cacetada como tem sido um pé no saco ser uma pessoa que menstrua, viu? É desconforto físico seguido de dor seguida de bagunça emocional seguida de mais desconforto físico e resultando em uma fraqueza porque eu já estou com falta de ferro no corpo e continuo perdendo o pouco que tenho. Fraqueza que vem em péssima hora porque é justamente agora que começo a pegar no tranco.

Ah, e lá vem a diaba da demanda por produtividade linear que faz com que a gente se sinta mal por não conseguir ser estável o suficiente pra contribuir com esse ciclo ridículo de consumo inútil. Pois estabilidade meu cu, com todo o respeito.

Vejo a torto e a direito pessoas incríveis se corroendo por dentro por tentar se desdobrar em mil quando mal se consegue ser um. É assim que as coisas funcionam, não tem como fugir disso, a gente tem que entrar no sistema e blablablá… Eu sei, EU SEI! Eu entendo, eu realmente entendo, mas uso aqui da minha licença poética pra não concordar. Não quero que as coisas funcionem assim e minha vontade é absurdamente irrelevante, eu sei, ainda assim é a minha vontade, ela mesma, de quem tanto se fala.

Hoje invoco meu direito à raiva. Considere irracional se quiser, considere pití, considere mimimi, considere o que quiser, hoje pouco me importa. Hoje tenho raiva porque tenho também tristeza, angústia e vontade de passar o dia inteiro na cama assim como passei no sábado, só que lá era porque meu corpo simplesmente não queria que eu ficasse dentro dele e então tentou me expulsar de mim se tornando o mais hostil quanto pode. Hoje não é meu corpo que me hostiliza, hoje é o mundo, e minhas dores se tornam revolta quando encontram desolação nos olhos que antes brilhavam mais que o sol.

14 de março de 2023

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