234 | e se eu quiser ter um unicórnio?

mari
2 min readApr 28, 2023

Quando crianças brincamos de criar mundos e inventar histórias, enxergamos a magia, acreditamos nela como acreditamos no que nos falam sobre nós. Quando crianças vemos possibilidades em qualquer lugar, mas pouco a pouco a vida nos tira tudo de brilhante e colorido que vestimos até que nos tornemos exatamente iguais a todes ao nosso redor. Será que é a vida ou nós mesmes? Seres humanos castrando outros seres humanos, destituindo-nos de tudo aquilo que não for possível explicar.

O que há de tão horrível em acreditar? O que há de tão ruim em não ser cético? Cínico? Em não ser infeliz? Amadurecemos e aprendemos a ter discernimento, a sermos inteligentes e a utilizarmos nossa imaginação naquilo que é produtivo, mas quem é que dita o que é produtivo ou não? Não é produtivo usá-la para alimentar melhores relacionamentos com as pessoas em nossas vidas? Não é produtivo cultivá-la como motivação para sair da cama todos os dias? Não é produtivo trazê-la para escapar um pouquinho da realidade? Como forma de curar e transmutar tudo aquilo que se acumula por dentro?

Viver em um mundo de fantasia é ruim, ok, concordo, mas viver num mundo de realidade também, com todo o respeito. É preciso um meio termo, uma forma de manter nossos corpos vivos e funcionais, mas também manter viva nossa vontade de viver. Não é fuga da realidade também passar o dia inteiro com a cara enfiada no celular? Por que viver um mundo interior fértil é preocupante quando ninguém consegue sustentar um mísero olhar?

A fantasia, a meu ver, é essencial, mas não é fácil tê-la por perto. Especialmente não quando tudo na vida nos puxa para fora, incessantemente para fora. Custa muito caro acreditar quando ao redor ninguém acredita, custa tempo, energia, disposição e, porque não, um tanto de sanidade mental. Quanto mais seria possível realizar se não passássemos tanto tempo nos questionando?

Será que estou ficando louca? Será é tudo imaginação minha? Será que nada disso é real? E se for tudo ao mesmo tempo? E se imaginário e real não forem tão distintos assim? E se a realidade servisse como amparo à fantasia, e não como assassina dela? E se falássemos de nossos sonhos como falamos de nossos planos? E se o absurdo fosse integrado ao nosso cotidiano?

Lombra patrocinada pelo filme A Loja de Unicórnios, de Brie Larson.

26 de abril de 2023

--

--