247 | conversas de verdade

aérea
2 min readMay 10, 2023

Poucas coisas são tão incríveis quanto conversar com alguém de verdade. Não com pessoas de verdade, conversas de verdade. Porque às vezes também converso conversas verdadeiríssimas com pessoas que não existem. Ou que não vejo, pelo menos. Converso comigo mesma também. Eu do presente, eu do passado e eu do futuro, de realidades paralelas e perpendiculares.

Mas não era sobre isso que falo hoje, não, queria falar sobre como é bom conversar conversas reais com pessoas reais — e me deparo com a diferença entre o real de existir e o real de se mostrar com sinceridade e como talvez em algum momento essas duas formas foram a mesma, mas hoje não são mais — e que estão tão dispostas a serem reais e terem conversas reais quanto você, ou, nesse caso, eu, sou eu que falo, oi.

Quando apesar das dificuldades de terminologia ou de expressão ou de externalização se espera pacientemente até que dê, quando se ajuda a encontrar a melhor forma de falar o que se quer falar mesmo quando ainda não se sabe o que isso é porque esse é um espaço seguro para explorar pensamentos enquanto eles acontecem sem julgamentos ou dedos na cara, quando apesar das dores se permanece presente e quando o objetivo não é ganhar e nem acertar e nem provar um ponto e nem nada dessas coisas ridículas que entram no caminho de uma boa conversa porque o objetivo real é se entender.

E entender não passivamente esperando que a outra pessoa faça sentido, mas ativamente investigando e buscando e perguntando e, mais importante do que tudo, ouvindo. Quando não se sente que precisa correr para falar tudo de uma vez antes de ser interrompida e que inclusive é possível viver um silêncio necessário em companhia, sem pressa de chegar a qualquer lugar. Quando os olhos deixam que as bocas falem e que os ouvidos ouçam mas continuam ali presentes pegando tudo o que escapa pelas bordas, que se prende nas bordas ou que se recusa a sair.

9 de maio de 2023

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