276 | pé sujo e traquinagem

aérea
2 min readJun 8, 2023

Tem coisas que a gente sente nos olhos, tem coisas que a gente sente na pele, tem coisas que a gente sente no sorriso, tem coisas que a gente sente na palma das mãos. Como confiar no que o coração sente quando ele já se enganou tantas outras vezes? Será que se enganou mesmo? Nem ele sabe mais. Como confiar em qualquer coisa nessa realidade que não passa de ilusão? Na maior parte das vezes acredito mais no mundo que não vejo do que naquele que se mostra diante de mim e talvez isso seja um erro, mas também talvez não?!

E outra… De onde é que vem a vontade de escrever e pra onde ela vai quando some? Será que vira palavra falada? Pensamento? Será que vira nada?

As tralhas se acumulam pelo apartamento grande demais para uma só pessoa e pequeno demais pra mim. Gosto de deixar tudo o que tenho à mostra e quando a estante vai embora onde é que eu coloco esse tanto de treco? Acumuladora de objetos e palavras que despejo em qualquer superfície que consigo encontrar. Afinal. qual é a graça de guardar aquilo que gosto onde nem a poeira alcança?

Paredes peladas e sujas dos painéis que foram embora. O quarto vazio e a cama agora pequena demais. Esfrega esfrega esfrega até ficar aceitável. O que é que eu vou enfiar nessas paredes?

Aula pequena com pouca gente e uma crescente intimidade um dia já existiu. As pernas se lembram do que a cabeça esqueceu faz tempo. Quão fascinante é perceber o quanto o corpo consegue se lembrar. E quão assustador.

Diz a Isa que disse a psicóloga que ser adulto é desagradar.

Parece que fazer exercício físico traz bom humor mesmo né? Quem diria… Num espaço só meu me faço como sou e gosto do rosto que vejo no espelho.

Como é bom sentir de novo essa leveza por dentro, por fora, entre

tantos outros, também somos corpo.

7 de junho de 2023

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