281 | tem dias que ter útero e tudo que vem no pacote é foda viu

aérea
3 min readJun 13, 2023

O que é que se sente quando não se faz a menor ideia do que é que se sente? Como que faz pra saber como lidar? O que fazer? Pra onde ir? Quais é que são as necessidades e onde é que estão os limites? Tudo se confunde enquanto os hormônios jorram pra todo lado sacudindo a minha paz e de quem calha de estar por perto. Tudo se confunde e me confunde e eu confusa confundo também quem tenta me entender. Não tenta me entender, não faz muito sentido, só chega perto, sabe? Chega perto.

A necessidade de atenção tá grande e eu quero carinho ao mesmo tempo que tudo me emputece. E aí vem também o choro. E as quinas dos móveis que batem nas quinas do corpo e o chão que chuta o pé e que parece tão agradável de deitar e derreter enquanto a música nova toca.

E não sei se são os hormônios que mexem comigo e a sensibilidade grande que aumenta tudo o que toca ou se é a situação difícil e estranha que me deixa estranha, talvez tudo isso e mais um pouco, talvez nada disso e outra coisa. Não sei, NÃO SEI!

Quero colo, sabe? Colo e chamego e um quentinho confortável pra me deitar porque ainda não encontrei um quentinho confortável pra me deitar desde um tempinho aí, desde que eu precisei, desde que as coisas aconteceram e chacoalharam pra fora de mim a certeza e me deixaram na ponta dos pés.

Tenho medo de pisar firme e fazer tremer o chão, tenho medo de alguma coisa que não sei o que é, tenho medo de ser irracional sendo que já não sou muito mesmo não ao mesmo tempo que também sou demais da conta de vez em quando. Tenho medo de ser demais, medo de ser de menos, medo de começar a me comparar de novo e de me colocar nesse lugar bosta de me anular, de querer compensar algo que nem é meu pra começo de conversa. Tenho medo de começar tudo de novo, mas não tem nada começando agora não.

Não sei o que tudo isso significa e não saber me dá receios. Não sei o que nada significa, não sei de mais nada. Não sei, NÃO SEI! Que ódio, lá vem de novo a vontade de chorar e de chutar alguma coisa, de gritar, de rolar no chão e de mandar todo mundo pro inferno. Lá vem de novo a tristeza que vem tão lá do fundo que nunca soube de onde exatamente ela vem, sei que vem de casa e quando a sinto me sinto em casa. Que merda, né? Não tá certo isso não, mas faz sentido.

Tem dias que tudo só é demais e eu sou demais e tenho medo de ser demais porque tantas vezes já me falaram ser demais como algo ruim. Gente que não soube lidar e me fez sentir errada por algo que não tem nada de errado, porra. Gente que estraga a gente que sente porque não sabe sentir e aí qualquer coisinha que saia um pouquinho de um padrão idiota e ridículo de normalidade robótica em nome de educação e civilidade já é AAAI MEU DEUS e QUE DRAAAAMA e PARA!!!

Pois que vá a merda todo mundo mesmo e eu também, que saco.

12 de junho de 2023

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