282 | por mais dias sem graça

aérea
2 min readJun 13, 2023

A hora é 20:33 e eu já sinto sono. Não um sono letárgico como o que andou me acometendo por um bom tempo, de exaustão emocional e mental e falta de nutrientes no corpo e falta de movimento. Não é um sono passivo ou inerte, é um sono de fim de dia, sono de hora de dormir para descansar bem e amanhã começar cedo de novo. Sono que vai me recarregar ao invés de me fazer acordar mais cansada ainda.

Durante o dia pensei em escrever várias vezes e escrevi textos inteiros na minha cabeça, mas estava ocupada fazendo outras coisas e pensei depois. O depois chegou, mas agora sinto sono. Eram ideias muito boas e talvez muito mais interessantes do que essa entrada de diário que acabou sendo o que sobrou, mas é isso né, tem horas que a gente consegue capturar a magia enquanto ela acontece e compartilhar, tem outras que a gente só vivencia mesmo e a guarda pra si. Quem sabe outra hora ela volta.

Foi um dia muito bom sem nada de grandes coisas ter acontecido nele e costumo apreciar bastante esses dias cotidiânicos. Acordei antes do despertador tocar, deixei um bilhetinho de bom dia antes de ir embora, senti o chão aquecido pelo sol com os pés descalços, terminei de ler um livro chato no qual estive empacada e me lembrei de como eu consigo ler muito em pouco tempo quando tenho uma manhã de silêncio, fiz uma comida mais ou menos que me satisfez, passeei um pouquinho sozinha porque me deu na telha, fiz carinho nos gatos, guardei o moletom no armário na hora que o tirei do corpo.

Não teve nada de grandes coisas e ainda assim foi um dia bom. Foi um dia vivido com presença, com a minha presença, e entre tanta vida acontecendo e tanta gente e tanta pressa e tanto lugar pra estar e tantas pessoas pra responder e tantos pensamentos e tantos sentimentos eu sinto a minha própria falta.

E depois de muito tempo sem sentir isso, tenho vontade de acordar cedo amanhã e viver outro dia sem graça e cotidiânico dentro da minha própria pele.

13 de junho de 2023

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