297 | ih, perdi de novo

aérea
3 min readJun 30, 2023

Cogitei parar de escrever. Já cogitei antes, é claro, mas dessa vez foi sério. Tipo largar de mão mesmo, parar isso aqui do jeito que tá e não que eu fosse sumir completamente porque acho que depois de tudo isso eu nunca mais vou conseguir parar de escrever, mas reduzir essa frequência, tirar a obrigatoriedade que eu mesma me obriguei e que só eu vejo o sentido.

Será isso pura teimosia? Com certeza. Ela é justificável? Será que um dia foi? Será que precisa ser?

Tem certeza? Agora que já tá tão perto. É, tá perto mesmo, mas ainda é tempo demais para continuar me emperrando a vida. Porque é essa a sensação que eu tenho, sabe, de que isso aqui tá emperrando a minha vida já. Tenho coisas maiores que quero escrever, coisas melhores que acabam não encontrando forças para sair porque já estou me desgastando diariamente por aqui, me arregaçando diariamente por aqui. Será que isso não é só desculpinha e que se eu quisesse eu conseguiria fazer os dois? Não sei dizer, talvez.

Cogitei parar de escrever e ainda não tenho respostas. Já alterei minhas próprias regras aqui conforme a necessidade algumas vezes e acho que é sobre isso também, é preciso ser adaptável especialmente quando o plano original veio ao mundo sem planejamento algum e ainda assim prontíssimo para ser implementado. Já alterei minhas regras e hoje enquanto escrevo é dia 29 de junho, mas escrevo sobre o dia 28 sendo o último que escrevi foi o do dia 24, depois que terminar esse vou deixa-lo arquivado e voltar atrás tentando escrever sobre dias que já não me lembro mais.

Isso faz algum sentido? Não sei dizer. Posso simplesmente pular os que já foram como já fiz algumas vezes antes, mas também me lembro de coisas que quis dizer nesses dias que se passaram e que ainda posso elaborar, mas quanto mais tempo se passa, de mais tempo vou precisar porque a carga só se acumula e os dias não param para me esperar — e hoje, dia 30, volto aos meus rascunhos para dizer que vou deixar os últimos dias passarem em branco. Domingo foi um excelente dia que merecia um bom texto, mas já não o tenho mais em mim, segunda não foi uma grande perda, mas terça também teria valido. Agora já foi, perdemos todos para o abismo comedor de dias passados.

Não sei se faz sentido e ainda tenho vontade de parar. Mas também me falta coragem. Será que o aprendizado aqui é persistir através da desmotivação ou saber a hora certa de pular de um barco que afunda? Acho que meu histórico recente mostra mais uma falha no segundo que no primeiro, então talvez sim, fazer uma escolha contrária à minha escolha original e admitir não a derrota, mas uma mudança de planos, talvez seja o real aprendizado.

Mas o ponto também era a disciplina de insistir em algo mesmo quando não sinto vontade, mesmo quando não faz sentido e mesmo quando não leva a lugar algum. Mas, mas, mas, mas…

Entendeu o meu dilema?

Não sei, eu realmente não sei, mas cansada de não saber quero tomar uma decisão. Tem sido difícil tomar decisões.

Já decidi que definitivamente não vou continuar depois que passar o prazo que me dei, preciso de uma pausa e preciso focar em outros projetos, mas será que vou até o fim? Realmente falta pouco, muito pouco considerando todo o tempo que já se passou. Todo esse tempo e todos esses dias que passaram voando enquanto minha vida dava saltos e capotes.

Todos esses dias de um momento altamente turbulento e único na minha vida e que agora eu tenho em algo mais do que a minha própria memória, ela que é tão suscetível a todas as nossas tantas subjetividades.

Mas então por que não escrever só nos dias que merecem ser registrados, só nos dias que vem o impulso irresistível de escrever? Ora, quem é que sou eu para dizer o que é que vale ou não a pena? Quantas preciosidades não saíram justamente do saco cheio?

Ainda não sei o que vou fazer, provavelmente vou continuar, provavelmente vou me adaptar, acho que quero sim a satisfação de completar esse ano dessa proposta absurda que eu mesma me fiz, nem que seja para dizer que nunca mais.

28 de junho de 2023, mas também 29 e também 30

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