339 | a falta que você me faz

aérea
2 min readAug 10, 2023

Estou deitada na sua cama sem você. É a segunda vez que venho desde que você viajou. Não faz nem um mês e se passaram anos, quantos mais será que vão se passar até você voltar?

Roubei da gaveta a camiseta roubada de quem roubou de quem roubou, passada de corpo em corpo até chegar no meu. Me visto com o seu abraço e fico feliz quando te vejo vestindo a minha que eu só tive a chance de usar uma vez antes de você roubar na cara dura. Não quero de volta, gosto de como ela fica em você.

Puxo as cobertas para baixo e me enfio debaixo delas de qualquer jeito. Paro. Olho. As puxo de volta para cima e dobro direitinho daquele jeito que você gosta porque sei que o caos na cama te incomoda.

Ainda fico chocada em pensar que, agora pouco mais de um ano atrás, eu nem sabia que esse lugar existia. Agora é minha segunda casa.

Seus instrumentos sorriem para mim e sinto falta dos seus dedos fazendo magia nas cordas, mas é um perigo pensar nos seus dedos.

Algumas lágrimas escorrem pelo rosto quando penso no seu toque e na falta que ele faz. Eu sei que falta pouco e que passa rápido, que logo mais você vai estar de volta e eu vou grudar em você mais forte que carrapato, mas ainda assim hoje, no seu quarto, deitada na sua cama, sentindo o seu cheiro, vestindo a sua roupa, eu sinto a sua falta.

9 de agosto de 2023

--

--