34 | noite de lua cheia

Tem tanta coisa que quero falar desse dia que nem sei por onde começar. Escrevo frases soltas e perdidas que nunca encontram sequência e não se emendam umas nas outras. Talvez nada do que eu tenha para falar sobre isso caiba aqui, talvez caiba em outro lugar, talvez não caiba em nenhum.

Parece que eu realmente percebo o tempo de um jeito diferente. Entre idas e vindas e voltas e pausas, tudo se mistura dentro da minha cabeça formando uma coisa só. Por fora tudo muda e eu também mudo toda, mas de certa forma certas coisas seguem acontecendo como sempre aconteceram. Noto os paralelos entre o que já foi e o que é tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes, as mesmas situações que se repetem cada vez melhores porque durante esse tempo todo eu continuei aprendendo e eu própria me melhoro a cada vez que me repito.

Parece também que eu tenho esse negócio de criar muita intimidade muito rápido e acho que é por isso que raramente me permito me aproximar de alguém, só quando vale muito à pena ou quando sou pega muito desprevenida e quando vi pronto, já íntimos estamos. Gosto dessas conversas que nos levam para onde nós nem lembrávamos mais um dia ter ido, para onde nunca um dia ousamos ir, é meu natural querer saber tudo sobre você, vai, me conta mais, abre seu coração, me mostra a sua alma, me fale as suas angústias, me conte os seus sonhos… Pronto, quando vi já estou investida em toda a sua história e envolvida também em você.

Olhando em seus olhos percebo que o espaço que se abre é o espaço que se ocupa. Nada fica realmente vazio. Pelo bem ou pelo mal, pela falta ou pela sobra, o espaço que se ocupa é o espaço que se escolhe ocupar. A intimidade que já transborda em mim escorre e te encontra pronta para te receber. Quando abri espaço em mim logo ele se recheou de você, que em troca me deu meu próprio espaço dentro de si para que eu ocupasse como eu bem entendesse.

Cheguei mostrando que entre a luz fluorescente que cega os sentidos e a escuridão que afoga a alma existem lâmpadas coloridas azuis e amarelas que quando acesas juntas pintam as paredes de rosa. Você chegou em silêncio e com cuidado, estudou como funciona a acústica do meu corpo e o preencheu da música que reverbera por todos os lados até me despertar o gosto há muito esquecido de dançar.

8 de outubro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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