39 | fins e começos e começos e fins e meios

Esse não é o começo do fim. Não, o começo do fim foi em dezembro do ano passado quando as engrenagens que vinham girando consistentemente na mesma direção frearam tão bruscamente que quase nos jogaram para fora da janela. Nos seguramos um no outro e, de mãos dadas, deixamos que elas girassem na direção contrária para ver o que acontecia.

Esse também não é o fim do fim. Não, o fim do fim foi pouco tempo atrás quando fizemos as pazes com todas as mudanças, nos olhamos nos olhos e vimos que o mais importante, nós, permanecemos. Sorrimos ao sentir novamente a leveza da vida. A turbulência parou, a poeira baixou e o coração voltou a bater no ritmo normal. Pela primeira vez pudemos enxergar os destroços de tudo o que já foi e não é mais e a imponência de tudo o que segue inabalável em meio ao que vier.

Esse, acredito, é o especial de natal. Um arco extra para terminar de amarrar as pontas que permaneceram soltas e dar um fim ao que não vai mais fazer sentido nessa nova temporada que em breve vai começar. O sol nasceu no céu colorido por todo o sangue derramado e, lavado pelas lágrimas salgadas, se tornou azul celeste.

O começo do começo vem se aproximando. De um novo começo. De um outro começo. Não sei o que esperar, só sei que não consigo parar de chorar por tudo o que é, tudo o que foi e tudo o que pode vir a ser. Sei que o medo não é motivo para ficar e muito menos para pedir que fique, então permaneço em pé observando a escuridão que vai me engolir daqui a pouco, tão igual e tão diferente da que está prestes a engolir você. De olhos abertos e sem enxergar nada nos damos as mãos mais uma vez e sorrimos o mesmo sorriso gentil pelo qual nos apaixonamos.

Acho que é por aqui o caminho, mesmo sem fazer ideia de para onde vamos. Talvez o destino ainda seja o mesmo, talvez ele nunca tenha mudado e tudo isso sempre fez parte. Pensando bem e olhando para trás, acho que é isso mesmo. Deixamos que as engrenagens corressem para todos os lados e em todas as velocidades, agora está na hora de desencaixá-las e ver o que acontece. Tudo o que somos e tudo o que já fomos permanece, mas é se abrindo para ser a gente em novos contextos que a gente cresce.

13 de outubro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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