41 | oásis no meio de um mundo em chamas

É engraçado como as coisas são. Não tem muito o que falar sobre porque não tem nem como começar a explicar, é só muito engraçado mesmo como as coisas são. Lembro de uns dias atrás e rio sozinha enquanto me assisto viver o que achava ser o mais próximo do futuro que eu poderia chegar. E era né, não deixa de ser, mas agora penso em todo o futuro que aconteceu entre aquele ponto e esse nem uma semana atrás e rio sozinha. As coisas são engraçadas mesmo.

Já tem um tempo que, quando preciso de um consolo, me imagino nesse mesmo espaço no futuro. Quebro a quarta parede comigo mesma e, mesmo que agora eu não me veja, sei que em algum lugar me assisto viver. Parece que só de sentir a presença dessa minha eu que ainda não sou, já a sinto dentro de mim. Talvez seja esse o paradoxo onde eu mesma continuo me descobrindo só para poder voltar atrás e me criar do jeito que descobri.

Tudo se mistura numa coisa só que agora já não consigo mais discernir o que é o que, mas não importa porque depois que chegar aqui dentro vai se misturar de qualquer forma mesmo. Como separar a comida no prato, mas juntar um pouco de tudo em uma só garfada. Depois que engoliu já era, já está no processo de digerir.

Acelerada, disparada, frenética dentro do movimento que tive que me colocar para conseguir chegar onde precisava. Cheguei, ufa. O coração demora para deixar de querer sair pela boca, a respiração demora a desofegar e quem dirá conseguir se fazer profunda, os pés não entendem que já passaram da linha de chegada, podem parar de correr. Já passou, a mão na base das minhas costas me acalma. Os olhos firmes que sustentam os meus me fazem parar de dar voltas no mesmo lugar, obrigada, era só disso que eu precisava.

Não consigo saber o que tem dentro de mim até que eu deixe sair, é por isso que falo tanto, por isso que escrevo, por isso que danço, por isso que choro. Escuto o tom da minha voz e me surpreendo. Que frustração toda é essa que morava aqui dentro? Como foi que ela chegou? Desde quando está aqui? Deixo meus monstros passearem um pouco sem coleira porque à essa hora da noite não tem ninguém na rua, não precisam de focinheira. Pois que corram soltos até que se esgotem, depois eles voltam para suas casinhas aqui dentro de mim e dormem.

15 de outubro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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