43 | ainda, de novo, cansada

Nesses últimos dias sinto que tenho estado aqui meio de qualquer jeito. A vida constantemente me atropela e dessa vez nem me sinto atropelada, mas corro junto com ela. Muitas mudanças acontecem ao mesmo tempo dentro e fora de mim, muitas turbulências e inconsistências e eu sigo aqui, constante. Tenho estado aqui meio de qualquer jeito, admito, mas tenho estado aqui.

Tem dias que tanta coisa acontece e é tudo tanto que nem consigo falar sobre; tem coisas que precisam ser processadas por um tempo para serem ditas depois de digeridas; tem coisas que acontecem que eu simplesmente não quero falar sobre, mesmo que eu queira mais do que tudo falar sobre; tem coisas que não são minhas para falar; tem coisas que são minhas demais.

Ontem fui escrever e acordei depois toda torta com o computador no colo e um parágrafo completamente abstrato largado na tela. Essa cena tem acontecido bastante. Durmo enquanto escrevo porque o único momento que consigo escrever é quando deveria estar dormindo, então não escrevo e também não durmo.

Tenho encontrado três padrões de dias: o primeiro é cheio de atividade mental onde entro em estados de hiperfoco para trabalhar ou estudar e, ao final, simplesmente me esgoto porque minha cabeça cambaleia sonolenta em busca de palavras que não consegue alcançar; o segundo é cheio de atividade emocional onde sinto tudo tão intensamente que fico uma bagunça interna que às vezes rende umas profundidades legais, mas outras vezes só me sinto tão transbordante que não consigo nem existir mais direito de tanto chorar; e o terceiro são os dias de descanso onde eu finalmente não canso minha mente e nem meu emocional e esses são os dias que consigo trazer coisa mais legal para cá.

Sinto falta da minha rotina ao mesmo tempo que tenho conseguido manter uma rotina legal, apesar de tudo. Sinto falta de não me sentir atropelada, mas também sinto falta de ser tão produtiva que até me esqueço do que é não ser.

Ontem enrolei e adiei tudo o que eu tinha que fazer porque eu precisei me dar um tempo, hoje acordei sem conseguir ficar na cama um segundo a mais sequer por sentir a urgência de um movimento que, se for para ser sincera, nem se movimentou tanto assim durante o dia e, se for para ser mais sincera ainda, só me deixou com mais agonia ainda de ficar parada. Minha mente está cansada e já não consigo mais me concentrar. Vejo ela ficando sem fôlego e desligando em meio a frases. Não consigo mais pensar direito e isso incomoda em um ponto muito específico porque todo o meu personagem na vida é construído ao redor do pensar.

Eu preciso dormir. Eu sei. Tenho virado noites em claro e visto o sol nascer para depois dormir por 2 a 5 horas e acordar, por incrível que pareça, tão bem que isso nem parece ser um problema. Mas a conta chega, né? Preciso também diminuir o café, mas nesse momento não consigo porque é ele que me mantém em pé.

Tenho coisas para entregar, tenho coisas para fazer, tenho planos para planejar e próximos passos a executar, tenho lugares para estar e pessoas para responder, tenho colos para dar e colos para receber, tenho comida para fazer, comida para comprar, louça para lavar, casa para limpar, roupa para lavar, estender e recolher, tenho gatos para cuidar, tenho mais compras para fazer e mais comida para inventar, tenho trabalho a fazer, estudo a estudar e esse texto para escrever.

Ia falar que não tenho dado conta, mas até que tenho, meio capengando em alguns momentos e estourando algumas válvulas, mas estou indo tentando encontrar um equilíbrio saudável entre tudo. Por que continuo aqui então? Por que é tão importante que eu, mesmo que o mundo esteja caindo ao meu redor, esteja aqui? Por que eu me prometi que estaria.

17 de outubro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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