51 | a escuridão que me espera de braços abertos

Quando as coisas começam a acontecer elas começam mesmo. Ainda não começaram, no caso, mas acabei de perceber que já entrei na fila da montanha-russa e eventualmente vai chegar a hora de sentar, colocar o cinto de segurança, segurar firme e ficar inquieta explodindo de antecipação enquanto o carrinho sobe tudo o que tem que subir para chegar lá em cima, parar pelo tempo suficiente para ter um mini piripaque apreciando uma vista bonita e despencar em alta velocidade.

Percebi também que eu não faço a menor ideia do que minha vida vai ser a partir desse ponto de despencamento num futuro cada vez mais próximo e que na verdade ela pode ser qualquer coisa que eu quiser que ela seja. O que faz com que eu me pergunte: O que é que eu quero que minha vida seja? Assim… Não é como se eu não soubesse nada, eu tenho uma ideia geral, mas decisões não são feitas com ideias gerais e em algum momento eu vou ter que, efetivamente, tomar decisões muito importantes que só podem ser tomadas por mim. Tá, beleza, entendi sobre o que vai ser meu retorno de saturno.

Vou falar aqui mais uma vez a frase que sinto já estar se tornando meu bordão, mas a vida é uma loucura mesmo, né? Tudo vai acontecendo realmente do jeito que tinha que acontecer, do único jeito que poderia acontecer para que as coisas se encaminhem para onde tem que ir. Qualquer passo diferente já poderia mudar tudo, pelo menos por um tempo.

Nosso caminho é mesmo nosso no final das contas e por mais que a gente queira e tente ir junto, nosso caminho é mesmo só nosso no final das contas. Tenho medo do abismo ao mesmo tempo que sinto que todos esses últimos anos — pensando bem, toda a minha vida — têm sido uma grande preparação para eu enfrentar exatamente essa escuridão, ela já espera por mim desde que eu nasci e eu sempre soube que seríamos nós duas no final, eu e ela, ela e eu.

Oscilo nas minhas definições de destino, mas no final das contas vejo como o lugar para onde, não importa qual caminho tomemos e nem quanto tempo levemos, estamos indo. As voltas que fazemos ou não são as escolhas que ao longo da vida nos afastam ou aproximam desses lugares definidos. Dei algumas voltas para outros lados, mas meu destino nunca saiu do meu campo de visão, sempre ali, sempre me observando, sempre presente. Bom… Lá vou eu, né?

25 de outubro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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