55 | que bom ver vocês de novo

Faz tempo que a gente não se encontra. Faz muito, muito tempo que a gente não se encontra, não direito pelo menos, não assim. O que um dia foi convivência diária hoje é história contada pelo tom de voz que só consegue narrar a saudade. Tanta coisa aconteceu e nós mudamos tanto que não mudamos nada. Tudo permanece exatamente como sempre foi e é até estranho pensar que agora cada um de nós tem todo um contexto próprio que antes era espaço de tempo por todos nós compartilhado. Somos todos outros enquanto somos todos os mesmos.

A nostalgia nunca me bateu em um lugar dolorido ou difícil de se estar. Penso sobre os momentos que guardo com carinho dentro de mim e, por mais que gostaria de poder voltar e vivê-los de novo, sei que só são o que são porque se encerraram no tempo. Não tem como voltar, a não ser pelas memórias e que bom que as temos, relembro com gosto gostando também de estar exatamente onde eu estou podendo relembrar. Cada época teve o seu bom e o seu ruim e em todas as épocas eu achava um jeito de me botar em desespero. Faz parte. Não anulo aquilo que foi ruim, mas também não deixo de ver o bom só porque nem sempre ele esteve muito visível.

Cercada dos amigos que por alguns anos foram minha casa sinto as lágrimas e o sorriso apostando corrida para ver quem chega ao meu rosto primeiro. Foi empate. Sorrio com os olhos banhados de alegria por ter tido e continuar tendo vocês em minha vida. A ternura logo vira gargalhada que vira engasgo que vira choro que vira aaaaai ai e se espalha. Não sei por que rimos, mas tudo é engraçado quando estamos felizes e, mesmo quando individualmente nem sempre estamos, juntos somos sempre.

29 de outubro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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