73 | eu viveria tranquilamente na luz azul

Ia falar sobre atenção, mas já falei o que eu iria falar. Pensei em falar também sobre boiar na água, mas já usei essa antes. Também pode ser… Não, ainda não. Agora olho para o nada enquanto como maçãs tentando pensar no dia de hoje e no que de interessante eu posso tirar dele. Ao invés de forçar a barra, prefiro reconhecer a falta de assunto como um assunto por si só. Ih… Merda. Também já fiz isso.

Acho que a vida é isso, né? A gente se repete. A gente se repete O TEMPO TODO. Nem sempre do mesmo jeito, nem sempre do mesmo lugar, às vezes um pouco mais acima na espiral, às vezes mais abaixo e às vezes, sim, às vezes exatamente do mesmo jeito.

Muitas vezes falo coisas que parecem esconder algo maior por trás, mas na verdade são só isso mesmo. Já em outras parece que não falo nada com nada, mas nessa bagunça falo absolutamente tudo. Aqui? Bom, acho que aqui faço um pouco dos dois. Talvez. Será? Na maior parte do tempo confesso que nem eu sei, só fico sabendo é bem depois mesmo.

Ia fazer um paralelo com algo que os gatos acabaram de fazer, mas não estou muito para paralelos. Hoje estou direta, mas não sei se tenho algo a falar diretamente, então dou voltas diferentes das voltas que dou normalmente. Caminho sem ter para onde ir e observo os prédios que nunca tinha visto antes, mas neles não tem nada de interessante, eu só não os tinha visto antes.

Gosto dessa pacatez — pacatez? É essa a palavra mesmo? Acho que não, mas deixa aí— , gosto desse estado de suspensão que na verdade não está suspensa, mas também não está necessariamente no chão. Eu sei. EU SEI. Eu consigo te ouvir daqui. Sinto seus olhos cravados nos meus com aquela expressão… É, essa mesma. E agora seu rosto mudou e o meu continua exatamente o mesmo. Não, não acho que o isolamento seja a resposta para tudo, mas muitas das respostas passam, sim, por ele.

Já fazem quantos dias que eu não tenho um mísero dia tranquilo? Hoje. Hoje foi um mísero dia tranquilo. Tão tranquilo que chego aqui e nem tenho o que falar — e mesmo assim, olhe só, tagarelo. Tive um dia leve e inteiramente sob o meu controle só que na verdade não foi o dia que esteve sob o meu controle, mas o meu estado emocional. Nada me desestabilizou porque eu tive tempo de processar tudo o que chegou até mim e no final das contas não é sobre me não me expor nunca, mas é sobre me expor quando eu tiver condições de reagir como eu escolher.

Repito: eu sei, eu sei. A vida não é bem assim e também não é bem assim o que eu falo. Concordo com você, mas também discordo de você e não preciso que me entenda porque tem coisas que a gente não vai conseguir transmitir falando nunca, só vivendo e sendo e mesmo assim não é certeza. Mesmo entendendo os pontos um do outro ainda teremos, no fim das contas, opiniões diferentes. Acho que parte da vida é fazer as pazes com o fato de que talvez nunca seremos compreendidos completamente.

16 de novembro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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