77 | sigo a correnteza

A vida vai mudando pouco a pouco e devagarinho até o momento que a gente olha ao redor e ri. Tenho um apreço especial por essa sensação e, da mesma forma como gosto de observar em silêncio as pessoas sem interromper seu fluxo de pensamentos para ver como ele naturalmente flui, gosto de deixar com que a vida aconteça ao meu redor e observar para onde a correnteza me leva sem que eu tente a controlar.

Nem sempre é fácil e me pego querendo nadar no sentido contrário, e é aí que me trabalho internamente para que o incômodo não se traduza em braçadas e sim em respiração contínua que me permite boiar. Tem momentos que o fluxo chega a uma bifurcação e, de um jeito ou de outro, uma escolha precisa ser feita, e é aí que todo o conhecimento sobre o rio como um todo me permite escolher com sabedoria.

Olho ao redor e rio nesse momento pois há apenas alguns meses atrás eu jamais poderia ter imaginado estar aqui, e ainda assim aqui cheguei. O fluxo tem sido bom comigo e a isso sou grata. Ao redor da mesa de café da manhã, cercados de árvores, patos e galinhas, balançando na rede e falando um monte de nada com nada existimos numa naturalidade imprópria para quem se conhece a tão pouco tempo assim, mas nossos olhos se enxergam e se reconhecem, assim como reconhecem o mesmo fluxo no qual todos nadamos.

Já faz um tempo que não me sinto avançando e sim voltando atrás, resgatando partes indispensáveis de mim que se perderam pelo caminho, umas largadas de qualquer jeito, outras escondidas em cantos onde achei que eu nunca mais ousaria botar os pés novamente e HÁ, olha só quem chegou.

20 de novembro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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