84 | o colo é cortesia da casa

Como uma pessoa muito propensa a passar por dias de emoções turbulentas e tristezas e melancolias e angústias e raivas e frustrações me acostumei a não esperar que as pessoas entendam ou saibam o que fazer. O que foi? Sempre perguntam. Não sei, a verdade é que na maior parte das vezes eu realmente não sei dizer. Por vezes a explicação chega um tempo depois, em outras ela não chega nunca porque o que precisava passar por mim fez o que tinha que fazer e saiu sem bater na porta do consciente.

Muito se fala sobre a diferença entre razão e emoção, mas na prática as emoções aprendem que para sobreviver precisam dar cada vez mais passos para trás, se escondendo e se condensando porque os holofotes não gostam de nada que possa ser nem sequer um pouquinho subjetivo.

Não precisa ter motivo para sentir, não precisa ter propósito e muito menos razão, precisa sentir e só. Quanto mais lutamos contra o amorfo que cresce no peito e toma conta do corpo mais ele se arranha e rasga e corta e esmaga tudo em seu caminho.

Tantas vezes meu coração já tão pequeno foi fuzilado com a melhor das intenções de cuidado e mesmo assim acabou esburacado. Me ensinei a, como bicho, lamber minhas feridas no escuro, longe de tudo e de todos, longe do inferno da racionalização.

Me pergunto o que aconteceu que te deixou assim, mas não pergunto. Me pergunto se fui eu, mas não pergunto. Me pergunto e vejo que quer me contar, mas vou esperar pacientemente que me conte quando se sentir confortável para isso sem que seja em forma de resposta. Não preciso saber o que faz seu coração apertar para ver que ele está apertado. Quero saber, mas não preciso e se eu nunca souber tudo bem também. Talvez você até preferia que eu perguntasse, mas me desculpe, não consigo, o que posso te oferecer é espaço para processar o que precisa ser processado sem pressa e sem hora, leve o tempo que levar.

Às vezes tudo o que precisamos é de alguém que se sente em silêncio ao nosso lado enquanto sentimos tudo o que somos explodir. Pode vir tranquilo que ninguém vai te cobrar nada, muito menos explicação, pode vir do jeito que estiver que aqui toda bagunça sincera é bem-vinda, vem que eu seguro sua mão e te faço companhia da melhor forma que eu puder.

Estou aqui por você, estou aqui com você.

27 de novembro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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