92 | chegamos lá e estava tudo fechado

Às vezes as coisas dão errado. Acontece. Às vezes a gente passa dias com algo em mente, se prepara, se organiza, faz o que precisa fazer para que dê certo, supera a desmotivação e vai. E dá errado. Dá errado por algum motivo, porque você se confundiu, porque alguém se confundiu, porque a vida intercedeu, porque houve um imprevisto, porque qualquer coisa aconteceu ou deixou de acontecer e resultou no seu plano dando errado.

Quem me viu quem me vê hoje rindo numa boa do plano que ocupou o meu dia e que no final das contas deu errado, o plano que fez eu ter que comprar uma roupa específica e gastar um dinheiro que eu não estava querendo gastar agora, o plano que eu realmente queria muito que desse certo, mesmo estando levemente nervosa. Ri não querendo chorar, ri não para esconder a frustração, ri genuinamente porque achei muito engraçado esse jeito que a vida acontece. Ao meu lado você se frustra e eu acho legal isso também, faz parte. Pois se frustre mesmo, faz bem se frustrar, mas bota a frustração para fora. Você grita com força pela janela para a noite escura e vazia. Ajudou.

Logo antes de descobrirmos que o plano deu errado conversávamos sobre como planejamos viagens. Eu prefiro ficar solta descobrindo o que fazer um dia depois do outro, porque se fica tudo planejado começo a me sentir sufocada e ansiosa porque se existe um plano tenho dificuldade de relaxar, e se o plano der errado a tendência é que eu me frustre, e a tendência é que os planos dêem errado. Então prefiro ir solta sem saber muito bem o que vou fazer e conforme estiver lá vou me virando.

Sou assim na vida também, a diferença é que viagens em geral são feitas para você bagunçar sua rotina, enquanto a vida real me exige a organização que tanto sofro para manter. Um dia depois do outro, senão surto. Meus pais querem saber quando eu vou viajar para visitá-los e eu quero, mas em agosto era cedo demais para pensar sobre o final de ano, em novembro ainda estava muito longe para pensar sobre o fim de ano e agora já nem é mais fim de ano, é ano que vem, e ainda está muito longe.

Eis o grande dilema.

Fico feliz em saber que aprendi a rir das inconveniências da vida. Acho que esse talvez seja mais um benefício que o conhecimento astrológico trouxe para a minha vida, o entendimento de que coisas vão e coisas vem e coisas acontecem e a gente é só formiguinha aqui tentando abrir caminho em chão esburacado com um relevo próprio que para entender precisaríamos enxergar o caminho de muito mais alto do que nossos pequenos corpinhos conseguem chegar.

5 de dezembro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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