94 | sutil

mari
2 min readDec 8, 2022

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Entendi. Entendi tanta coisa que não consigo nem falar. Pouco a pouco se abrem em minha mente livros inteiros de uma só vez.

Tentei me apressar e esqueci que é pra isso. Já tentei me apressar também antes e deu nisso.

Há tanta coisa que quero falar, mas nem sei como. O que acho conhecer se desdobra e só acredito por estar ali e você também.

É cada vez mais sonho e talvez por isso durmo cada vez mais tarde.

Me viro sem saber porquê e no meio viramos um só. Você voltou pra isso? Não sei, acho que sim, e você? Não sei, acho que sim. Dois passos pra trás sem querer caímos, um abraço desajeitado e simples assim dançamos como se muito já antes.

A resposta do que se perguntou e do que nem se ousou tentar.

Parece que corpo e espírito quando se juntam não há mesmo nada igual. Era disso que falavam?!

Quando parece não ter como ser mais, um tão sutil tão sutil que poderia passar despercebido desbloqueia o mais absurdo impossível. Como assim? Não tem cabimento. Não faz sentido. Não tem a menor condição. Nos olhos vemos que não enlouquecemos e na loucura nos fazemos companhia.

Não tem a menor condição.

Coisas estranhas acontecem aqui.

Pela garganta a vida passa até o centro. O que aconteceu?

Foi isso. Só entendi quando senti.

Peito acelera da base até o topo da cabeça com a mão atrás da testa, no quadril e na nuca o coração.

Se sou a peça que fecha o circuito ele é incompleto, mas que um circuito em nós se fecha é.

Ainda não consigo falar sobre. Não sei se um dia vou.

7 de dezembro de 2022

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