99 | que a vida continue incerta

No estúdio bem decorado em amarelo e preto transbordando plantas já me sinto instantaneamente em casa. É novo esse lugar, gostei.

6 anos desde que a gente se conheceu? É? Acho que sim, por aí. Mais uns 3 desde a última vez que a gente se viu? Talvez até 4, nem sei dizer. Os seus rabiscos eternizados na minha pele marcam a nossa intermitente história e agora acrescentamos mais um encontro ao meu braço.

Conversamos sobre várias coisas e sobre nada e sobre nós e um pouco do passado e um pouco do futuro e muito do abstrato e ideias e projetos e dificuldades e motivações e métodos e músicas e séries. Também ficamos em silêncio.

Penso em quem eu era quando ele fez a minha primeira tatuagem e mal me lembro, mas lembro da conversa desconjuntada de duas pessoas que não sabem muito bem como interagir e que na sua insegurança me identifiquei. Lembro menos ainda da pessoa que recebeu as outras duas, mas lembro que experimentamos um bombom de pimenta rosa e comemos cheesecake depois. Uma única outra vez logo depois nos encontramos sem ter minha pele entre nós quando fui só acompanhar uma amiga.

Penso em como deve ser a sua perspectiva de mim tendo apenas essas pequenas janelas entre as quais tanto aconteceu e tanto mudou. Como será a vista aí do outro lado?

É engraçada a intimidade que se cria ao dividir o corpo e debruçados sobre o meu braço me sinto completamente à vontade ao mesmo tempo que totalmente ciente de que meio que nem nos conhecemos direito, mas cada vez um pouco mais.

Falamos sobre como a vida passa por nós enquanto nós permanecemos, que vamos com ela e voltamos com ela e giramos com ela e no final tudo o que temos é ela. E nós. Tudo muda e que bom que tudo muda porque deus nos livre de viver sempre a mesma coisa e sempre do mesmo jeito. A sensação de que qualquer coisa pode acontecer é o que faz a vida ficar interessante e às vezes é bom sair de casa sem saber se é hoje que você não vai voltar, sabe? Olho para o meu peixe abissal novinho em folha e me lembro da paz que existe em nadar na mais completa escuridão. Sei.

12 de dezembro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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