Ainda não aprendi a me ver errar.

Virginiana com lua em capricórnio, nasci sem saber me soltar. Não sei me expor sem calcular, e, ao calcular, me escondo.

Errar dói. Dói num lugar tão fundo lá dentro que mesmo depois de tanto tempo ainda não consegui encontrar.

O mundo assusta, o mundo julga, e eu? Eu me assusto mais ainda.

Olhando várias fotos de vários momentos diferentes percebo que apesar de muita coisa mudar, uma permanece.

Sempre que tento me retratar me encontro do mesmo jeito, escondida atrás de mim.

Tem um eu de dentro que reluta em sair, um eu leve, brincalhão e extremamente bobo, mas só por dentro.

Cadê eu fora de mim? Quem é essa que me prende? Quero me ver de fora pra dentro, mas não consigo me botar pra fora.

Tem uma eu de vidro que me envolve e pensa me proteger de quebrar, mas quem quebra é ela.

Por dentro sou mole, sou feita de vento felpudo e colorido. Como que isso quebra? Isso não quebra. Eu não quebro. Eu não vou quebrar. Quem quebra é ela. Dentro dela tem eu. Eu não quebro. Eu não vou quebrar.

E se eu estiver errada e eu realmente quebrar, bom, aí espero que até lá eu já tenha aprendido a me ver errar.

--

--

pelo visto esse é o meu diário

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store