27 | as voltas que damos na vida

Gosto de pensar em como as pessoas entraram na minha vida e em como algumas ficam ali para sempre enquanto outras que eu achei que seriam somem e nem percebo, é só quando olho para trás que vejo tudo o que ficou. Gosto de pensar em como a vida dá voltas e voltas e voltas e a gente nunca volta pro mesmo lugar, mesmo quando parece voltar. Às vezes nos pegamos em espaços que nunca imaginaríamos sequer botar os pés e quando olhamos ao redor não só lá estamos como já construímos um castelo inteiro com jardins e hortinhas e piscinas. Às vezes temos tanto medo do próximo passo que ficamos paralisades exatamente no mesmo lugar vendo tudo acontecer sempre pela mesma única perspectiva.

Esse não foi um dia nostálgico, mas foi um dia de evocar o passado e ver toda a distância entre ele e o presente. Acho incrível observar o tanto que a gente muda ao mesmo tempo que continua exatamente igual. Qual é a nossa parte que cresce e qual é a nossa parte que se mantém? Como é a relação entre elas?

Oito anos se passaram desde que tanta coisa aconteceu. Foi lá que todos esses tudos começaram e minha vida tomou tantos rumos diferentes que andam lado a lado nessa loucura toda. Foi lá que conheci vocês, nós quatro com nossas bochechinhas jovens, shorts e botinhas; foi lá que a gente se juntou meio pela necessidade e nunca mais se desgrudou, mesmo que nunca tenhamos realmente nos grudado. A gente não se vê mais tanto, também não se fala mais tanto, mas toda vez que a gente se encontra descobrimos o tanto que perdemos de comum e o tanto de novo comum que, cada uma do seu jeito, conquistamos e agora podemos compartilhar.

Oito anos se passaram também desde que esse dia se tornou um dia que eu devesse lembrar e hoje eu nem vi quando ele passou. Quatro anos que nós dois fomos uma coisa só e quatro anos que já não sei mais nada de você e, imagino, nem você de mim. Será que passamos pela sua cabeça hoje? Pergunto só por curiosidade mesmo porque eu mesma esqueci. Espero que onde esteja, que esteja bem e que esse dia não passe de mais um dia para você também, assim como nos tornamos nada mais que um dia um na história um do outro.

Oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um. Faço uma retrospectiva mental e rio comigo mesma ao ver os paralelos e os perpendiculares que se formam. Me encontro aqui meio que da mesma forma que eu me encontrava lá tantos anos antes só de um jeito totalmente diferente, agora com mais base, talvez base o suficiente, talvez base até demais. Precisei de todo esse tempo para solidificar meu chão e agora posso finalmente pensar em voar mais uma vez, dessa vez tendo para onde voltar.

1 de outubro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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