caem pedaços de mim

Ando me sentindo atrasada. Largada. Deixada de lado por mim. Não tenho ninguém a culpar que não eu. Me larguei mesmo. Me deixei mesmo. Pausei tudo e perdi o ritmo de mim. Coisa chata quando a gente se perde pelo caminho. Ilusoriamente me vi alinhada e em apenas um segundo desabei.

Mentira. Já me sentia desabando há um tempo, só não tinha verbalizado ainda. Esperei você fazer isso por mim e depois achei ruim. Mania chata que a gente tem de ir guardando os medos no armário da despensa e empilhar um monte de coisa na frente pra esconder. Agora que quero me mudar preciso limpar todas as prateleiras e descobrir tudo aquilo que a gente escondeu.

Entre teias de aranha e camadas de poeira descubro lados de mim há muito esquecidos. Nem sei se servem mais, se valem a pena guardar ou se me desfaço logo. É tanto pedaço solto que não sei nem como começo a tentar encaixar. Jogo tudo no chão e fico ali olhando, mas o tempo corre e a vida anda. Preciso decidir logo. Não tem tempo pra pensar. Não tem tempo pra sentir. Não tem tempo. Não tem tempo. Não tem tempo. Só preciso mais um pouco de tempo pra esse tanto de mim. É muita coisa. É muita coisa.

Atropelada. Desengonçada. Cambaleante. Tento carregar tudo comigo, mas alguma parte sempre cai no chão, quando tento pegar cai outra, e outra, e outra. Olho ao redor e vejo alguns que como eu se atrapalharam. Outros correm como se não houvesse amanhã sem perceber que tudo aquilo que carregavam já há muito se perdeu. No final todo mundo perde. Ninguém chega inteiro. Ninguém sabe como voltar. Ninguém consegue parar.

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pelo visto esse é o meu diário

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