como vai ser quando eu voar

Fechei os olhos e fui, fui embora para onde nunca antes havia ido de uma forma que nunca antes tinha conhecido. De dentro de mim voei para fora, para cima, para longe. Quando dei por mim já estava no alto do céu, mas lá do alto o conceito de altura perdeu todo o significado para mim. Me perdi na amplitude e me encontrei. O azul infinito se estendendo para tão mais longe do que eu já um dia cogitei ser possível. Mesmo hipnotizada pela vista, foi a sensação que me prendeu. Ou melhor, que não me prendeu. Nunca antes senti tamanha leveza, nunca antes percebi o que seria não tocar em nada que não fosse eu. Vivem-se vidas inteiras sempre em contato com alguma superfície, nem que só na pontinha do pé. Aqui nada me toca e eu, em troca, não toco nada. O vazio me cerca e me envolve sem me envolver, apenas sendo assim como eu sou dentro dele. Desprendida do mundo, solta do peso que o peso tem. Não sei como me sinto e na verdade nem me importo, talvez meus sentimentos estejam bem lá embaixo seguros na densidade do oceano esperando inertes o momento em que eu voltar. Tão alto que não vejo o mundo me vejo pelo que realmente sou, tantas possibilidades quanto existem nuvens no céu que se moldam e deformam a cada segundo deixando por entre suas partículas o ar passar. Aqui em cima só existe eu, e sendo só deixo de ser e me transformo em tudo que há.

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pelo visto esse é o meu diário

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