2 | conversas e conversas e conversas

Como é bom falar e ser ouvida. Ter no diálogo o espaço pro monólogo com todas as suas reviravoltas e monotonias, poder repetir as mesmas questões de formas diferentes e às vezes só ser repetitiva mesmo. Saber que posso me demorar no silêncio entre palavras enquanto espero o pensamento se formular sem ser interrompida, julgada ou apressada. Que posso ir muito longe e também voltar pra perto. Que não preciso fazer sentido pra prender atenção, ela só permanece ali, sólida e constante.

Como é bom ouvir e não precisar falar nada. Andar lado a lado enquanto sou conduzida por todo um universo inteiro que não me pertence, mas que se apresenta pra mim e me dá as boas-vindas. Onde a simples presença já é uma resposta porque sim, eu estava lá. Sentir o peso do silêncio de outra pessoa e permitir que ela também o sinta. Ver pra onde ela vai quando já terminou de ir pra onde estava indo e percebe que pode continuar pra onde quiser.

Existe um tipo especial de silêncio que só existe em conversa e ele demanda que todo mundo que esteja ali presente esteja realmente ali, presente. Às vezes ele chega do nada abrindo caminho na base da cotovelada e se senta bem no meio da sala em desafio. Quem quiser o tirar dali vai ter que se esforçar. Às vezes ele chega na forma de um olhar calmo e disposto a esperar o tempo que for necessário pra que se consiga lidar com ele, como um toque gentil de amparo que respeita o espaço necessário do sentir.

Às vezes tudo o que mais precisamos é de uma companhia enquanto falamos com nós mesmes em voz alta porque nos habitar pode ser extremamente solitário também. Uma que não tente ocupar nem resolver, que não tente fazer nada, só esteja e seja o que é - uma boa companhia.

06 de setembro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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