8 | dormi no meio

Um dia de não sei, sabe? Teve tanta coisa e ao mesmo tempo não teve nada. Nada se fez, nada se foi, nada. Um nada que do nada brota lá do fundo e transborda vazio que escorre e escorre e escorre. Vários mundos se acumulam dentro de mim e não sei se sei qual é o meu, me perdi de vista.

O sono bate em ondas quando fecho os olhos, quando abro lembro que estou aqui e volto pra cá. Uma frase de cada vez entre vezes de vazio.

Entre esse último ponto e isso aqui cochilei sem querer. Me perdi de novo e dessa vez fui tão longe que quando voltei voltei rápido demais, tão rápido que esqueci pra onde tinha ido. Penso muito sobre isso na verdade, sobre o tanto de histórias que vivemos em nossos sonhos, mas que nem sempre viram memórias e mesmo assim foram vividas e nos moldam como todas as outras.

É meio que o caminho contrário. Ao invés dos sonhos serem o que vem dos dias, os dias serem a resultante de tudo o que foi vivido e aprendido (ou não) nos sonhos. Temos uma relação interessante, eles e eu. Às vezes penso que meus sonhos que me sonham acordada e entre um e outro vivo umas paradas.

Algo estranho está no ar hoje e talvez já estivesse antes, mas foi só agora que respirei. Tento me lembrar de tudo o que eu queria falar e realmente tinham coisas, várias coisas, mas essa pescada ali de cima me transportou pra outro ponto onde o hoje já é ontem e ainda não é amanhã.

O que será que aconteceu nesses minutos que saí de mim? Não me lembro, mas sinto que foi importante e fez algo mudar, só não sei ainda o que é. Algum arquivo em alguma pasta aqui dentro foi mexido e o histórico apagado, talvez eu nunca saiba o que pra onde foi, talvez em algum momento descubra do nada.

Talvez eu esteja escrevendo tarde demais e o sono já começa a me carregar, mas talvez seja justamente esse o ponto exato pra que eu consiga falar qualquer coisa sem pensar. Gosto de escrever com a cabeça desligada e me ouvir sem fazer a menor ideia de sobre o que estou falando. De deixar que meus dedos costurem frases mecanicamente enquanto minha mente dorme. Às vezes encontro algum sentido na minha própria baboseira. Agora não sei, só vou saber amanhã.

12 de setembro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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