fotografia,

olho pra fora e pra dentro. olho pra dentro e pra fora. atenção dividida. atenção super focada. atrás da câmera invisível. vejo o mundo ao meu redor que nunca me vê de volta.

penso que devo ser muito expressiva quando noto as linhas afundadas que já se formam em meu novo rosto, não sei dizer, nunca me vi sorrir.

não olho em seus olhos e nem nos meus. não olho para nada. não vejo o mundo assim. vejo eternidades momentâneas e as guardo. instantes alheios. coleciono momentos de qualquer alguém, momentos dos quais nunca participei. não me envolvo. mal respiro. sou registro, biblioteca, sou museu.

sou eu, mas nunca aqui, sempre ali, logo ali, perto ou longe, nunca aqui.

tentando me guardar me guardo como sou, lá. qualquer coisa que não seja isso não iria ser o que quero que seja. o que quero que seja é que seja eu. quero me ver como me vejo, mas como posso se nunca me vi.

eternamente olhando pra longe daqui

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pelo visto esse é o meu diário

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