| lua cheia

mari
1 min readAug 2, 2023

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Há noites em que tempo se prende na garganta, estendendo seus tantos membros até quase romper na tentativa de voltar ao que era antes de se deixar engolir pela garganta seca.

Noites em que o coração quase não bate de tão frio enquanto bate cada vez mais rápido e degela pelos olhos água velha, água suja, água salgada que escorre rosto abaixo assim que as luzes contrariadas se apagam.

Noites em claro porque só a pele sabe desfazer o medo e a vergonha de ter mostrado demais, falado demais, tentado demais e mesmo assim não ter conseguido aquilo que buscava.

Porque palavras ajudam, mas só elas não resolvem e talvez a única saída então seja dormir.

Queria voltar no tempo e não ter dito nada quando as entranhas me escapam às cordas vocais, pior ainda é quando fico calada enquanto o tempo passa e lá ficam elas imóveis e flácidas penduradas pro lado de fora pra quem queira ver.

Sinto falta do teu cheiro e do teu beijo e do teu toque que me acalma quando a onda que me leva puxa ao fundo pelos pés.

Vai passar, eu sei, mas em noites de maré alta costumo morrer afogada.

1 de agosto de 2023

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