31 | meu ninho no topo do mundo

Acho que uma das coisas que eu acho mais maravilhosas nessa vida é o quanto cada pessoa é tão completamente única. Universos inteiros que se expandem em direção ao infinito dentro de corpinhos tão simples que às vezes deixam pedaços dessa infinitude aparecer, que às vezes entram em contato com outros universos e continuam a crescer e tocar e criar cada vez mais universos inteiros dentro de corpinhos tão simples como nós.

Vejo em você várias das pessoas que você conheceu e que deixaram registrados seus pedaços por ali; vejo em você várias das pessoas que eu conheci e você talvez nunca vá, mas que desse encontro entre eu e você são evocadas em mim através do seu jeito de simplesmente estar. Vejo em seus olhos o brilho que é só seu, o único olhar no mundo que viu tudo o que viu e exatamente por isso vê o mundo do jeito que vê. Ouço em sua voz todas as vozes que já te chamaram e te responderam e nelas formam os pensamentos que são só seus para ter.

Por um tempo estive ausente da minha casa no topo da montanha mais alta, onde venta frio e se ensurdece de silêncio, e estava sentindo a sua falta. Voltei a enxergar as coisas como gosto de as ver, de cima. Foi bom ter descido dela e vivido o que é preciso sentir na pele para conhecer e me vejo fazendo mais disso daqui para a frente mesmo, mas nossa… Como é bom voltar para casa.

Estive vivendo tão dentro de mim que não consegui perceber direito o que estava do lado de fora e tudo bem, faz parte do ciclo de viver e aprender para poder viver de novo e aprender ainda mais. Desci da montanha sabendo que não era nela que eu iria conseguir o entendimento que eu precisava e me sinto feliz de ver que entre a loucura desse monte de gente eu encontrei muito mais do que eu poderia ter imaginado.

Volto com tantos livros debaixo do braço que tive que arranjar também uma mochila maior. Volto com presentes recebidos encaixados no lugar de tudo o que foi dado de presente. Volto com os pés calejados, joelhos ralados, roxos aleatórios espalhados e cheia de novos machucados, mas também volto cheia de cicatrizes recém cicatrizadas, chás, remédios e bandagens para terminar de curar tudo o que for necessário. Volto completamente exausta, mas além de tudo e o mais importante, volto com um sorriso gigantesco estampado no rosto.

Saí com medo de largar minhas coisas para trás, mas agora retorno e encontro tudo exatamente onde estava, só preciso tirar um pouco da poeira que se acumulou e pronto. Estou pronta. Cheguei. Ufa. Que bom voltar para casa.

5 de outubro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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