pra eu reler na próxima vez que começar a esfarelar

Tenho mania de esquecer pedaços de mim pelo caminho. A necessidade de ser boa em alguma coisa é tão forte que abandono milhares de habilidades em construção pelas que ainda nem comecei a desenvolver. Depois reclamo e me sinto mal porque não sei fazer nada.

Que mania chata que a gente tem de não valorizar nossos talentos, tanto aqueles que vem com mais facilidade quanto os que exigem muito esforço e dedicação. A lógica do "sempre tem mais" e "nada é suficiente" chega com força descendo o machado afiado em qualquer elogio que esteja sendo cultivado no nosso jardim.

É um eterno vai-e-vem de me desequilibrar e depois lembrar que estou na corda bamba e precisar me concentrar. A verdade é que sei fazer várias coisas diferentes, mas dificilmente me lembro disso e é rotina já me desesperar ao não ver um caminho sólido na minha frente. A ironia é que se eu visse um caminho sólido eu subitamente não ia mais querer andar por ali, porque não importa o quanto eu tente, não consigo me encaixar na solidez.

É estar constantemente precisando me lembrar que tudo bem ter mil interesses e querer se desenvolver em todos eles, mas que também preciso ser inteligente porque me dividir dessa forma faz com que eu comece a esfarelar. É esse o momento que eu começo a surtar achando que me perdi e paraliso, não conseguindo me dedicar mais a absolutamente nada por um tempo.

Gosto de pensar que sou muito rápida, mas no meu arsenal de instintos o de correr ou lutar em situações de perigo ficou de fora, e se eu fosse um animal eu com certeza seria um daqueles que ao menor sinal de predador finge de morto. Ou pior ainda, tem vezes que nem me jogar no chão funciona e só fico parada no meio do caminho de olhos arregalados tentando processar todos os milhões de cenários possíveis ao mesmo tempo e ainda assim tendo um branco. Nem meus pensamentos conseguem continuar e palavras começam a despencar, talvez também se fingindo de mortas.

Isso acontece aqui dentro o tempo todo. É só botar um pouquinho de pressão em cima de mim que começo a sapatear no lugar igual barata tonta. É uma coisa patética de se ver. Eu sei. O problema é que isso acontece com os meus pensamentos também, e quando me vejo diante de mil possibilidades travo. Tela azul. Reiniciar. É um eterno navegar pelo catálogo de filmes da Netflix sem nunca escolher um diabo de filme.

Aqui deixo um conselho pro meu eu do futuro quando chegar nesse ponto de novo: só clica na primeira opção que aparecer! Se for bom, ótimo, se for ruim pelo menos gera uma discussão, quem sabe ainda sobre tempo pra ver mais um depois. Nós colocamos tanto peso nas escolhas que ficamos incapazes de escolher coisas que nem precisam ser escolhidas. Mais valem 2 filmes ruins do que 4 horas encarando o catálogo.

Só vai, que saco.

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pelo visto esse é o meu diário

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