sobre o fim que nunca acaba

Ouso dizer que tudo o que eu queria dizer eu já disse. Queria continuar falando, mas simplesmente não tenho mais nada a falar. Eu queria tanto, mas tanto continuar falando, mas simplesmente não tenho mais nada a falar. Volta e meia me ouço repetir. Volta e meia me vejo voltando nessa mesma questão de um jeito ou de outro, por um lado ou pelo outro, e me ouço repetir.

Talvez seja tudo impressão minha porque sei que não gostou do que ouviu, talvez seja tudo impressão minha mesmo no final. Parece que eu deveria continuar falando, mas também não quero correr o risco de mais confundir do que melhorar. Na verdade nem é sobre melhorar. Na verdade é sobre encontrar cada vez mais formas diferentes de entender o mesmo, de dizer o mesmo, de sentir o mesmo.

Queria continuar falando, mas tudo precisa acabar. Tudo no mundo precisa, precisou ou vai ainda um dia precisar acabar. Tudo no mundo tem o seu fim. Tudo no mundo inteiro tem um dia o seu tão ou nem um pouco esperado fim. Queria continuar falando e por um tempo falei. Queria tanto, mas tanto, que continuei. Continuei falando até que em algum momento precisei parar, e quando entendi que por fim não ia ter volta e precisava mesmo, realmente, de verdade parar de falar

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pelo visto esse é o meu diário

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