16 | sem saco

Sei que meu baixo nível de tolerância hoje é porque começou minha tpm, mas também sei que isso não anula o fato de que sim, eu estou saturada e desgastada depois de semanas intensas de muita convivência com outras pessoas e que isso, me conheço, me drena em níveis absurdos. Ainda preciso aprender a identificar melhor os sinais que meu corpo me dá de que estou chegando no meu limite e me lembro como se fosse ontem de falar isso no mês passado, mas mais uma vez bateu do nada e é isso que tem pra hoje, quem sabe no próximo eu antecipe melhor.

Justo hoje uma pessoa fincou a mão na buzina sem parar em algum lugar aqui perto por no mínimo uma meia hora que pareceu o dia inteiro. Sempre assim, né? Talvez em outros dias eu só teria colocado música alta logo e rido do absurdo, mas hoje pela primeira vez senti a vontade de explodir outra pessoa.

Ontem falei me sinto beirando aquele meu precipício e hoje acordei já estatelada lá no chão. Pelo visto despenquei enquanto dormia e agora sinto os ossos quebrados pinicando a pele por dentro. Preciso do meu tempo pra me recuperar, preciso da minha bolha, do meu isolamento não só voluntário como extraordinariamente necessário.

Preciso aprender a controlar meu impulso de me colocar à disposição pra qualquer coisa sempre que for necessário porque agora meu corpo me lembra que quem grita pela minha disponibilidade sou eu. Sim, quero saber das suas coisas sempre, mas não agora, agora eu não quero saber de nada, com licença. Agora eu preciso do meu espaço, por favor. Preciso do meu silêncio, shhh. Te amo, mas me deixa em paz, por favor. Tô aqui pro que você precisar, mas sei que você sabe se virar.

Não se preocupe comigo, tá tudo certo, tá tudo bem, isso é normal, faz parte. Não é nada pessoal, não tem nada a ver com você, sou eu mesmo, é uma necessidade minha de vez ou outra simplesmente sumir sem deixar rastro, quando eu voltar a gente conversa, que tal? Te amo, mas pra continuar te amando preciso me amar um pouco também, preciso passar tempo de qualidade comigo mesma e me tratar com todo o carinho que eu ofereço pra você até pra que eu possa continuar oferecendo porque eu realmente gosto e me faz bem, mas não agora.

Ouço minha voz ficando cada vez mais áspera e ríspida e não gosto de me ouvir com esse tom que em outros tempos me foram tão familiares que foram parte predominante da minha personalidade. Não gosto mais de ser assim e aprendi que não preciso ser, só preciso fazer a minha manutenção periódica que a doçura se mantém constante, hoje já passei do ponto, sinto muito.

Seguro com força nos últimos fiapos que me seguram em pé pra que eu termine o que me propus já sabendo que preciso tomar cuidado pra não arrebentar e acertar sem querer o olho de alguém que só quis estar perto. Me desculpe por me tornar brusca, não é por mal, não é por querer. Me embruteço como defesa porque já me sinto invadida, mas quem abriu meus portões fui eu mesma e agora me sinto na necessidade de desligar a música, ligar a luz e recolher as mesas pra que todo mundo entenda que a festa acabou e já passou da hora de ir embora.

20 de setembro de 2022

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pelo visto esse é o meu diário

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