tanto que derrama

Tem dias que amar atormenta e desse tanto mais ainda. Não digo que dói porque acredito firmemente que verdadeiro amor não deve doer, aprendi isso com você. O que dói é bater o joelho na quina da gaveta ou chutar aquele degrau tão pequeno que escapa ao olho, mas amar não, amar não dói. O que acontece é um eventual aperto no peito quando percebo que é fisicamente impossível abrir meu coração e te colocar dentro dele ou o vendaval de pensamentos que me sacode no ar e tira tudo de proporção. É a garganta que insiste em querer fechar quando o que ela tem para falar talvez não seja tão legal. É o olhar incapaz de focar pelas lágrimas que chegam sem saber quem as chamou. O que mais dói é a ideia de doer. O que poderia fazer doer na verdade só faz crescer porque se adapta. É fácil ficar triste ao ver um amor tão carinhosamente cultivado escorrendo pelos dedos por não ter para onde ir, mas se ele escorre é porque por dentro já estou tão cheia que sobra e transborda, precisando ir para algum lugar.

Quando escrevo, entendo. Quando entendo, paro de me atormentar.

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pelo visto esse é o meu diário

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