tempo

Ia começar falando sobre o relógio que tiquetaqueia, mas isso nem é verdade pois os relógios nem tiquetaqueiam mais, só te dão um tempo e subitamente você já está no próximo, sem aviso, sem alerta, sem ritmo e sem fluxo. Assim. Simples assim. O tempo criado para organizar hoje frenetiza a nossa vida inteira, pulando de minutos, horas e dias sem que a gente nem perceba que ele passa. Do nada o amanhã chegou e você nem viu ontem passar. Ao mesmo tempo vivemos para relembrar tudo o que já passou, memórias que aparecem não para lembrar, mas para compartilhar, nostalgizando o que já foi e agonizando o que vem lá.

Gosto de pensar no tempo da mesma forma que gostava de dormir ouvindo o tique-taque, me acalma. Sentir que ele passa é me prender ao momento, como ficar olhando para o microondas esperando que apite. Ver todo o tempo vazio que cabe entre um número e outro é me dar consciência da vastidão do universo e do próprio tempo em si, é ver o tempo fora do tempo, o espaço fora do espaço, e o quão minúscula eu sou no meio de tudo isso. Nesse espaço entre tempos não cabem meus problemas, caibo apenas eu, sem mala e sem mochila, sem carteira e sem corpo. Eu e o tempo, suspensos. Quem vai piscar primeiro?

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