23 | terminando sozinha o nosso vinho

Penso em tudo e sorrio. Quanto tempo se passou nesse pouco tempo que se passou? É assim que funciona, né? Pessoas surgem do nada e viram tudo do avesso, as coisas mudam do nada e nossa vida continua como sempre continuou, tentando acompanhar o tanto de aleatório que de tão aleatório que é começa a fazer sentido.

Penso em nada e sorrio. O vazio em minha mente hoje é suspiro e dentro dele respiro em paz. Sinto vontade de chorar, mas também sinto vontade de mergulhar em um lago não tão gelado e afundar até tocar o chão só pra dar o impulso de volta pra superfície e continuar fazendo isso até que perca a graça.

Ouço músicas novas e faço notas mentais pra lembrar de por pra tocar no nosso próximo momento daqueles cheios de tudo e nada e qualquer coisa que vier. Penso em falar com você, mas nem tenho nada pra falar, só queria estar perto. Penso em falar com você, mas sinto que preciso sentir minha solidão em toda a sua magnitude pra que eu possa entender as dimensões de tudo que sinto por todo mundo inclusive por mim.

Não foi muito vinho que sobrou daquele dia, mas foi o suficiente pra me deixar desse jeito que nem sei sobre o que estou falando e era disso que eu precisava no final das contas. Já sei qual é o meu próximo filme pra mostrar se você ainda não tiver assistido e se já tiver então já temos muito sobre o que conversar.

Minha maquiagem ficou tão bonita que fiquei com dó de tirar, mas já passou da hora. Passeei um pouco hoje e me lembrei de como era a vida tantos anos atrás, achei engraçado, ri sozinha sentada em meu carro que ainda não foi lavado e queria ter com quem compartilhar tudo isso, mas eu sou a única pessoa que vai conseguir entender o meu ponto então continuo a rir sozinha sentada em meu carro.

Penso em todos os momentos que ri sozinha e em todas as pessoas que passaram por mim e em todos os lugares que me viram passar por eles.

Alguma coisa faz barulho aqui dentro de casa, será que é um besouro se batendo no teto? O gato enxerga o que eu não consigo, acendo a luz e vejo que estava há muito tempo no escuro, quem diria, logo eu. Apago de novo, o besouro que lute. Ligo a música de novo e faço outra nota mental pra colocar essa no carro na próxima madrugada de janelas abertas.

Ando nostálgica e pensativa e reflexiva e querendo dar no pé, mas levando todos que amo comigo, mas querendo ir sozinha, mas querendo continuar perto, mas… Ando nostálgica e pensativa e reflexiva e querendo me livrar de tudo que tenho ao mesmo tempo que não consigo me desfazer de nada. Ando nostálgica e pensativa e reflexiva sem realmente pensar nem refletir sobre nada, só sentindo e sentindo e sentindo e deixando o tempo passar.

Te vejo online e penso em falar alguma coisa, mas só tenho ei pra falar, fala comigo, ei, ou, você aí, vem cá. Acho que o que tenho é saudade sendo que te vi a sei lá, poucos dias. Quero estar perto, mas também quero te dar o seu espaço e me dar o meu espaço, mas quero estar perto mesmo sem estar.

O pensamento de você me lendo me passa pela cabeça, mas o chuto com força toda vez que o vejo se aproximando porque se eu pensar em você me lendo não vai ter mais nada pra ler porque não vou mais conseguir escrever nada, então continuo escrevendo sem pensar em você me lendo, mas ainda pensando em você.

Acabei com o vinho que não era muito, mas foi mais do que o suficiente pra me deixar com a saudade que eu já sentia. Vou tomar meu banho e tirar a maquiagem tão simples de todo dia que ficou tão bonita que fiquei com dó de tirar. Vou dançar um pouco na cama até ficar cansada o suficiente pra dormir e vou sonhar com coisas que provavelmente não vou me lembrar ao acordar.

27 de setembro de 2022

--

--

pelo visto esse é o meu diário

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store