tropeços

Andando pela rua foi que a vi pela primeira vez, andando com a pressa de quem não gosta que os pés toquem o chão. Naquele dia ela vestia roupas simples, uma camiseta cinza por dentro de um short jeans de cintura alta, mas foram as botas que me chamaram atenção. As botas pesadas e pretas que a puxava para baixo e ao mesmo tempo pareciam a deixar mais alta do que é. Como observava, vi quando um dos pés se enganchou no outro, fazendo com que ela alçasse voo por pelo menos uns dois metros à frente, onde se recuperou do tropeço e começou a rir aquele riso solto e sincero de quem realmente achou graça. Ela não olhou ao redor, mas se tivesse teria me visto rindo também. Ainda com um sorriso no rosto, ela continuou andando como se tropeçar fosse uma parte intrínseca de caminhar, e como pude perceber nas outras vezes que a vi passando por ali, para ela era mesmo.

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pelo visto esse é o meu diário

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